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  03:02

 Fonte: Google Imagens

Futebol coisa nenhuma! A corrupção é o esporte nacional no Brasil. Da corrupção nossa de cada dia, acredito que o suborno, a fraude e a desobediência às leis são verdadeiras categorias olímpicas no cotidiano do brasileiro comum.

Independente do time de futebol, do partido político, da fé, da localidade e profissão do sujeito, nada nos une tanto quanto a corrupção cotidiano e banal. Mas e a língua portuguesa que nos conecta enquanto povo? Que nada! Brasileiro despreza o português e adora usar estrangeirismo gratuitamente. “Eu amo a night”; “Vocês fazem delivery?”; “Isso fica em stand by”. O brazuca se prostitui rapidinho com qualquer anglicismo como se experimentasse um orgasmo oral-linguístico no cérebro.

Medalha de bronze

Voltando ao verdadeiro esporte nacional, a corruptela, o brasileiro é expertíssimo no suborno, embora ostente apenas a medalha de bronze. Suborna-se tudo que for possível: o guarda de trânsito na hora da multa, o professor em dia de prova, o político e sua bancada partidária, o caminhoneiro e a carga tombada, o Hipócrates ao adquirir o falso atestado médico, o juiz com uma sentença favorável (é raro, mas acontece), a eleição a fim de permanecer no poder – aí a peita é maior e é chamada de paixão partidária, em vez de prevalecer a razão política.

Medalha de prata

Em termos de fraude o brasileiro somos um pouco melhores nesta categoria. Se existe qualquer coisa original, damos um jeito de falsificar a carteira de estudante, os registros de água, luz e internet, os comprovantes para o imposto de renda, o currículo profissional, o comércio em artigos de cama, mesa e banho, o perfil nas redes sociais e tudo o mais que for composto por átomos. A nossa pirataria é medalha de prata nas olimpíadas de falsificações mundiais. A China ganhou a medalha dourada ao vender pirita (ouro de tolo) para o Brasil.

Medalha de Ouro

Agora nada se compara ao talento histórico do brasileiro em desobedecer às leis que existem para nos proteger de nós mesmos. Nossa corrupção diária corrompe tudo que um dia fora regulamentado: os Dez Mandamentos, os Códigos Civil, Tributário, de Trânsito Brasileiro, de Defesa do Consumidor e código genético, os Estatutos da Pessoa Idosa, da Igualdade Racial, da Pessoa com Deficiência, da Criança e do Adolescente, as Leis Maria da Penha, de Crimes Ambientais, de Diretrizes e Bases da Educação, de Newton, LGPD e LGBT+, a Consolidação das Leis do Trabalho, a Constituição Federal, a Declaração Universal dos Direitos Humanos... Finalmente somos medalha de ouro.

Medalha de...

Tanto talento poderia virar esporte nacional e transformaria muitos de nós em atletas olímpicos. Imagino tantos corruptos triviais que gratuitamente se corrompem por tudo ou por quase nada, ou mesmo por nada e ninguém lhes reconhece o potencial nato ou adquirido. A corrupção como esporte olímpico nacional finalmente uniria os brasis, as zonas urbana, rural e a zona, os ricos, os pobres e os esnobes, a esquerda, a direita e o centrão, os hetero, homo e assexuais. Imagino a corrupção para além do suborno, da fraude e da desobediência às leis; penso em um universo de modalidades nas quais o brasileiro brilharia não como ouro, mas como diamante.

Esta história lhe parece absurda, corrompido leitor? Ora, outro cronista pensou em criar um Ministério da Corrupção. O Ministério da Corrupção existe há séculos e está firme e forte em nossas casas e coração. Só falta transformar nosso vício moral em virtude olímpica.

Brasil, sil, sil, sil...!

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