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  15:47

O desespero de um pai e a resposta precisa do SAMU salvaram uma criança em Campo Maior

Há cenas que dispensam explicações. Elas falam por si. Nesta semana, precisamente na quinta-feira, Campo Maior, cidade do norte do Piauí, assistiu a uma delas.

As imagens divulgadas pela base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) mostram o momento em que um pai, tomado pelo desespero, chega de carro, invade a base do SAMU, carregando o filho de apenas três anos de idade. A criança estava engasgada com um carrinho de brinquedo que obstruía suas vias aéreas.

Não havia tempo para acionar a viatura do SAMU, para protocolos demorados. Havia apenas o instinto de um pai que fazia de tudo para salvar o filho.

Ao entrar na base do SAMU, o homem se ajoelha, implora, chora e entrega a criança aos profissionais. É uma cena forte, emocionante. Daquelas que apertam o peito de qualquer pessoa, especialmente de quem é pai ou mãe. Naquele instante, não existia vergonha, orgulho ou qualquer outra preocupação. Existia apenas um pedido desesperado: "Salvem meu filho."

Do outro lado, porém, o desespero encontrou algo igualmente poderoso: o preparo de uma equipe de profissionais de saúde que já foi, com certeza, criticada, culpada por mortes que eles não conseguiam evitar.

Segundo informações divulgadas pelo prefeito de Campo Maior, a médica plantonista naquele momento era a Dra. Laís. Pelas imagens, todos assumem imediatamente suas funções e se vê o comando da ocorrência, mobilizando todos, enquanto o pai faz seus pedidos a Deus e aos profissionais. Em poucos segundos, cada profissional sabia exatamente o que fazer. Enquanto alguns providenciavam os equipamentos necessários, outros iniciavam as manobras para desobstruir as vias aéreas da criança.

A rapidez, a técnica e a calma fizeram a diferença entre a vida e a morte.

Após retirar o brinquedo que impedia a respiração, a equipe conseguiu restabelecer as vias aéreas da criança. O vídeo registra o instante em que o menino volta a respirar. O pai, então, explode em alívio. A tensão dá lugar ao choro de gratidão. Quem assiste dificilmente consegue conter a emoção.

O episódio não foi somente um atendimento bem-sucedido. Ele nos lembra da importância que cada um tem aqui na terra. De cada um saber o valor do outro, do estudo, do preparo de cada profissional em sua área. Mesmo que seja para agir sob total pressão, eles estão preparados. Em situações como essa, segundos representam uma vida inteira.

Também nos faz refletir sobre o papel silencioso desses profissionais. Muitas vezes criticados quando algo não sai como esperado, raramente recebem o reconhecimento público quando conseguem transformar uma tragédia anunciada em um final feliz.

Nos mostra, ainda, o valor da família. O quão deve ter sido a angústia que essa família passou ao perceber o filhinho morrendo aos poucos, ainda pegar o carro, não lembrar de mais nada e correr para uma base de apoio onde ele não sabia quem eram os profissionais que encontraria lá. Mas ele foi. Entrou no espaço das ambulâncias, saiu do carro, pegou o filho nos braços e pediu socorro. E recebeu.

Há vitórias que não rendem troféus, medalhas ou manchetes nacionais. Mas têm um valor incalculável para quem a conquistou. Certamente, neste caso, foi uma vitória da família e de todos os profissionais que ali estavam.

É uma história que merece ser lembrada. Porque, em meio a tantas notícias difíceis, Campo Maior também viveu um daqueles raros momentos em que o desespero encontrou a esperança.

Que esta semana termine nos lembrando de que ainda há motivos para acreditar. Acreditar na força da família, que nunca desiste dos seus; no preparo de profissionais que escolhem salvar vidas todos os dias; e nas pessoas que, mesmo em meio ao caos, fazem a diferença. Em tempos de tantas notícias difíceis, Campo Maior nos presenteou com uma história que devolve um pouco da esperança e nos faz lembrar que a humanidade continua viva nos gestos de quem estende a mão quando alguém mais precisa.

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