A União Europeia começa a suspender nesta quinta-feira (3) as importações de carne bovina, de aves e de mel do Brasil. A decisão ocorre porque, segundo a Comissão Europeia, o governo brasileiro não apresentou garantias de que cumpre as regras do bloco para o uso de antibióticos e outros medicamentos na criação de animais.
A restrição havia sido anunciada em maio, quando o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar esses produtos para a União Europeia.
Pelas regras europeias, produtores não podem usar determinados medicamentos para acelerar o crescimento dos animais ou aumentar a produção. O bloco também proíbe o uso, nos animais, de alguns antibióticos reservados para tratar infecções em seres humanos. A preocupação é evitar que o uso excessivo desses medicamentos torne algumas bactérias resistentes aos antibióticos e dificulte o tratamento de doenças.
A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, afirmou que o bloco busca garantias sobre todo o processo de criação dos animais. Ainda não há prazo para que a restrição seja retirada.
No caso das aves e do mel, especialistas europeus fazem uma auditoria no Brasil, que deve terminar no fim desta semana. Os resultados, porém, ainda passarão por análise antes de serem divulgados.
Setor brasileiro busca reverter restrição
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que a indústria brasileira de carne bovina continua trabalhando para que o Brasil volte à lista de países autorizados a exportar o produto para a União Europeia.
Segundo a entidade, garantias oficiais do Ministério da Agricultura sobre o cumprimento das exigências europeias já foram apresentadas. A Abiec também informou que a cadeia de carne bovina colocou em prática um protocolo próprio para controlar o uso de antimicrobianos, desenvolvido em parceria com outras entidades do setor.
A associação afirma que a restrição está relacionada a uma exigência específica da União Europeia para os países que fornecem produtos ao bloco. Segundo a Abiec, a decisão não altera a qualidade, a segurança nem a condição sanitária da carne bovina produzida no Brasil.
A entidade diz que segue em contato com o governo e com representantes do setor para buscar a reinclusão do Brasil entre os países autorizados a vender carne bovina ao mercado europeu.
CNA pede reação do governo
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também se manifestou sobre a restrição e pediu ao governo brasileiro medidas em resposta à decisão da União Europeia. O presidente da entidade, João Martins, enviou um ofício ao Itamaraty solicitando o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões. Esse instrumento permite ao Brasil buscar compensações comerciais diante de medidas que prejudiquem produtos brasileiros.
Segundo a CNA, uma das possibilidades seria suspender benefícios tarifários concedidos a produtos europeus. A entidade afirma que a decisão pode trazer prejuízos ao agronegócio brasileiro. Em 2025, as exportações de carnes bovina e de frango do Brasil para a União Europeia somaram cerca de US$ 1,8 bilhão.
A CNA também pediu ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre a qualidade e a classificação dos azeites de oliva importados e vendidos no Brasil, especialmente os comercializados como extravirgens.
O pedido não cita diretamente a União Europeia, mas 89% das quase 90 mil toneladas de azeite importadas pelo Brasil em 2025 vieram de países do bloco, principalmente Portugal, Espanha e Itália. No mesmo período, essas importações movimentaram cerca de US$ 540 milhões.



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