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05/02 00h02 2017 Você está aqui: Home / Blog da Ana Ana Maria Cunha campomaioremfoco@hotmail.com

TUDO É UMA QUESTÃO DE DECISÃO

Há dias esperava a sua volta, mesmo sabendo  que ele havia dito que não voltaria mais.

 

Naquele dia caíra uma chuva fina e tranqüila, diferente da manhã de sol em que ele havia partido, e ela ouvia a tamborilar dos pingos nas telhas da casa enquanto se balançava na rede de tucum do terraço, e olhava os pingos que caiam, pelas grades do portão. A rua estava calma, quase ninguém passava pelas proximidades. Era quase meio dia, mas o céu estava tão escuro e com nuvens tão pesadas, que parecia fim de tarde.  Um espetáculo lindo de se ver.

 

Ela não sabia se lia o livro ou se ouvia a chuva. Se prestava atenção no que lia ou no barulho que ouvia. Ou ainda se divagava pelo mundo das lembranças de um passado recente que teimava em não querer  ir embora... Ela não conseguia esquecer o fim daquela história que parecia não teria fim.  Qualquer coisa, cor, cheiro, frase ou música  lhe roubava a atenção do presente e a remetia ao passado.  

 

Basta! Pensou. Pensou e levantou-se da rede num impulso.

 

De repente decidiu dar um basta naquilo. Ela precisava se amar mais, se respeitar mais. Já haviam lhe dito que ninguém muda ninguém, que a única pessoa que poderia mudar  aquela situação seria ela mesma, se ela quisesse. E ela queria. Acabara de decidir que queria acabar com aquele sentimento bobo que não a levaria a nada.

 

Olhou-se no espelho do banheiro e percebeu que estava chorando e nem se dera conta! Quantas vezes isto já teria acontecido? Lavou o rosto lentamente e prometeu a si mesma que aquela seria a última vez. Olhou seu olhar sem brilho no brilho do espelho. Não estava bonita. Precisava cuidar dos cabelos, das unhas, das olheiras das noites infinitas sem dormir. Afinal, o que era aquilo? Quantos relacionamentos terminam todos os dias? O que ela estava esperando para reagir?

 

Enquanto tomava um banho demorado, ela decidiu que precisava mesmo mudar o foco, gostar mais dela que dos outros. Precisava sair de casa, ver gente, sorrir, encontrar motivação para viver. E esta motivação estava dentro dela, não deveria e nem  poderia depender de outras pessoas. Enquanto ela não se amasse não conseguiria despertar amor em outra pessoa. Ninguém  gosta de alguém carente, mal humorado, triste, que reclama de tudo. Ela tinha consciência de que as pessoas apenas suportavam sua chatice, que ficavam perto dela por respeito, por pena, não  por amor! Como a amariam, se ela mesma não se amava? Talvez por isso ele fora embora...

 

Enquanto tomava banho começou a traçar os planos para o futuro, começou a planejar seu dia, sua vida! Ensaiou um sorriso, outro e mais outro até conseguir dar uma gargalhada.  Mais uma vez lembrou do que lera no livro, que devemos sorrir não porque estamos felizes, mas para ficarmos felizes. Lembrou que lhe disseram que quando sorrimos o cérebro recebe uma mensagem de que está tudo bem, e providencia para que realmente fique tudo bem. E, do fundo do coração ela desejava que ficasse tudo bem!

 

Mais uma vez lembrou que lhe disseram que tudo começa no pensamento gera sentimento que gera comportamento. Que pensamento negativo cria realidade negativa e que pensamento positivo cria realidade positiva.  Pois bem, ela iria por em pratica agora. Não esperaria pra começar amanhâ. Começaria agora.

 

Repetiu varias vezes para si mesma:  Agirei agora! Agirei agora! Agirei agora!

 

Começou a cantarolar a primeira música que lhe veio à cabeça, enquanto escolhia uma roupa bonita, a mais bonita que encontrou. Afinal era domingo e àquela hora o shopping já estava aberto. Primeiro iria visitar as lojas, depois almoçaria lá e mais tarde iria ver um filme. Quanto tempo faz que não saía sozinha? Quanto tempo fazia que não curtia a melhor companhia, a sua própria companhia?

 

Ainda cantarolando calçou a sandália mais confortável  que encontrou, fez uma maquiagem leve para disfarçar as olheiras e se olhou demoradamente no espelho... E se sentiu bonita, muito bonita!

 

Enquanto andava pelos corredores do shopping olhando nos olhos das pessoas que cruzavam seu caminho ia pensando: "Eu sou bonita, sou feliz, tenho saúde, sou inteligente, posso ir e vir por onde quero. Como eu tenho o que agradecer a Deus. Perdão Senhor pela minha falta de gratidão! E sorria e cumprimentava com um 'bom dia' a todos que encontrava. Sentia-se a pessoa mais feliz do mundo. Percebeu alguns olhares de admiração. Sentiu-se leve, sentiu-se feliz. Sentiu-se inteligente e saudável. Sentiu-se a mulher mais interessante do planeta e sentiu que as pessoas realmente a achavam interessante! Mas isso pouco importava. Era só a opinião delas. O importante era o que ela própria estava sentindo!

Dentro dela era luz e som...

Lá fora a chuva continuava caindo leve e persistente, de um céu escuro e nublado!    

 


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