A cidade de Campo Maior completa, em 2026, seis anos sem a realização do tradicional carnaval público promovido pela prefeitura. A última edição ocorreu em 2020. Nos anos de 2021, 2022 e 2023, a suspensão foi amplamente compreendida pela população em razão da pandemia da COVID-19, que impôs restrições sanitárias em todo o país. No entanto, em 2024, 2025 e agora em 2026, a ausência do evento passou a gerar questionamentos, uma vez que não houve divulgação clara de justificativas oficiais que expliquem a não retomada da festa nos moldes anteriores.
O atual prefeito optou por manter apenas o Corso, evento concentrado em um único dia. Neste ano, a realização foi marcada por investimentos altíssimos para apenas uma noite de programação. Apesar do aporte financeiro expressivo, o evento foi alvo de críticas de participantes, que relataram problemas de organização, estrutura e escolha de atrações musicais que, na avaliação de muitos foliões, não atenderam às expectativas do público local.
A ausência do carnaval público por vários anos consecutivos traz impactos que vão além da dimensão festiva. O carnaval tradicionalmente cumpre um papel cultural relevante, preservando manifestações populares, fortalecendo a identidade local e proporcionando espaço para artistas regionais. Sem a realização do evento, grupos culturais, músicos e trabalhadores ligados à cadeia produtiva do entretenimento deixam de contar com uma importante vitrine e fonte de renda.
Do ponto de vista econômico, a não realização do carnaval também repercute no comércio e no setor de serviços. Bares, restaurantes, hotéis, ambulantes, motoristas e diversos pequenos empreendedores costumavam registrar aumento significativo no faturamento durante o período carnavalesco. A interrupção dessa dinâmica pode representar perda de circulação de recursos e redução de oportunidades temporárias de trabalho, especialmente para trabalhadores informais.
Outro ponto que amplia o debate é o fato de que, além do carnaval, a atual gestão também deixou de promover outros eventos tradicionais do calendário municipal, como a festa de virada de ano, o aniversário da cidade e o festival gastronômico Sabor Maior. Esses eventos, historicamente, integravam cultura, lazer e estímulo à economia criativa local. A descontinuidade dessas iniciativas levanta questionamentos sobre as prioridades da política cultural adotada pela administração municipal.
É importante destacar que cabe ao gestor público definir, dentro dos limites legais e orçamentários, quais eventos serão realizados. No entanto, quando decisões impactam diretamente a vida cultural e econômica da cidade, torna-se legítimo o debate público e a cobrança por transparência. A sociedade tem o direito de compreender os critérios adotados, os custos envolvidos e as razões que fundamentam a mudança de formato ou a supressão de eventos tradicionais.
Campo Maior, reconhecida por sua história e potencial cultural e turistico, enfrenta agora um momento de reflexão sobre o futuro de suas festas populares. A discussão vai além da realização de shows: envolve identidade, economia e o direito da população ao acesso à cultura e ao lazer. Em um cenário de sucessivas ausências no calendário festivo oficial, cresce a expectativa por posicionamentos mais claros da gestão municipal e por um planejamento que concilie responsabilidade fiscal com valorização cultural e desenvolvimento local.
Fica aqui uma dica aos vereadores para buscarem respostas a este assunto.


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