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11/11 08h14 2016 Você está aqui: Home / Blog da Ana Ana Maria Cunha campomaioremfoco@hotmail.com

DIVERSOS AMANHECERES

O fato é o mesmo, mas o significado que dou a ele é que faz toda a diferença.

O telefone tocou e eu acordei assustada. Antes de atender olhei o relógio, era ainda madrugada. Meu coração deu um pulo e eu pensei que alguma coisa ruim tivesse acontecido, afinal não é comum as pessoas ligarem para as outras a essa hora. Era uma amiga muito animada, disse que resolvera me ligar para conversar enquanto se arrumava para ir ao trabalho, aliás, isso já acontecera outras vezes... Percebeu minha voz de sono e ficou sem jeito. Eu com cara de boba perguntei: _ Que horas tem aí na sua cidade minha amiga? Ela respondeu, 5:40. Eu disse: _ Pra você, aí em Teresina, porque para mim ainda são 4:40... Aqui em Rondônia, é uma hora a menos. A coitada ficou morta de vergonha pediu desculpas várias vezes e me mandou ir dormir novamente. Até tentei, mas não consegui mais. Fiquei pensando nos contrastes e peculiaridades do meu País-Continente.

 

Enquanto no meu Piauí são 5:40, em Rondônia são 4:40 e em Brasília são 6:40... Confuso isso, não? O Brasil neste momento tem três horários diversos no mesmo momento. Diversos amanheceres. Isso é coisa de louco e gente besta não entende.

 

Fiquei a imaginar: as diferenças vão  além de horários. Nosso País-Continente tem diferenças tais, que eu poderia dizer que no mesmo Brasil existem muitos Brasis. Na verdade isso eu já havia constatado há algum tempo. Eu não conheço muito o Brasil, não fui ainda em todos os estados, na verdade, não saí quase nada dos limites da minha rua, mas no pouco que já andei e observei, vi os contrastes e peculiaridades, que vão desde o sotaque ao modo de vestir, passando pela culinária, costumes arquitetura, tradições... É muito bonito perceber que somos filhos da mesma mãe, ocupamos o mesmo território – imenso território – mas  “Como nem os dedos das mãos não são iguais” nós também não. Somos irmãos, mas somos desiguais.

 

Constatar isso, me levou a divagar sobre outros pensares, levando-me ao tema da redação do ENEM, que versava sobre a necessidade de tolerância religiosa. Eu acredito que devemos exercitar nossa tolerância na religião sim, e em todos os outros aspectos polêmicos que levam à separação do irmão. Como política, credo, concepções, crenças, futebol, gênero, costumes e crendices. Somos diferentes, gritantemente diferentes.  

 

 Aceitar que no meu País ao mesmo tempo o relógio pode marcar três horários  diferentes me leva a crer que as pessoas também podem divergir em outros aspectos. Em todos os aspectos possíveis e prováveis. Se eu posso aceitar ter que ser acordada as 4:40 da madrugada, para mim, porque para o outro já são 5:40, enquanto para um terceiro já seriam 6:40, porque não aceitar que para mim o Criador se chama Deus, para o outro se  chama Jeová e para um terceiro  se chame Ogum. Ou mesmo Grande Arquiteto do Universo, Pai Celestial, ou outra denominação, sei lá. Cada um pode chamar seu Pai como quiser e desejar. Ou como lhe foi ensinado. E eu devo respeitar isso. Respeitar inclusive aqueles que pensam que são órfãos, que não têm Pai. 

 

Neste ponto minha cabeça dá um clic, então a palavra RESPEITO deve ser a solução.

 

Se eu não posso mudar o fato de ser acordada as 4;40 porque minha amiga achava que já seriam 5:40 ou mesmo 6:40, então eu devo respeitar a opinião dela, afinal ela está certa, e eu também. Mas se eu fosse discutir com ela nunca chegaríamos a um acordo, mesmo que uma de nós estivesse errada. Deixaríamos de ser amigas por algo totalmente desnecessário. Assim também são as discussões por temas polêmicos, que envolvem conceitos, convicções e gostos diferentes. Melhor respeitar o ponto de vista do outro. Respeitar a cultura do outro. Respeitar as preferências do outro. A palavra é respeito. Não somos obrigados a gostar, nem mesmo a aceitar, mas isso não muda os fatos, então o caminho sensato será respeitar.

 

Eu te agradeço minha amiga, por me acordar para esta realidade. Aproveito para falar um pouco da PNL que foi o que me trouxe à tão distante Rondônia. Na PNL descobri que eu decido o significado que dou aos fatos, eu poderia ter ficado chateada por ter sido acordada na madrugada, mas ao contrário, eu fiquei grata por me teres acordado. O fato é o mesmo, mas o significado que dou a ele é que faz toda a diferença.

 

Quando as pessoas aprenderem a lidar com isso, o mundo será muito diferente. Eu acredito e estou trabalhando para isso.

 


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