O fim da escala 6x1 poderá trazer consequências para o bolso dos consumidores e para o mercado de trabalho. Enquanto bares e restaurantes admitem que deverão aumentar os preços para compensar os custos, supermercados estudam ampliar a automação de serviços, substituindo parte da mão de obra humana por máquinas e tecnologias.
A Emenda Constitucional 141, aprovada pelo Senado Federal na última quarta-feira (14) e promulgada na sexta-feira (16), estabelece dois dias de descanso semanal remunerado e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
No estado do Ceará, representantes dos setores de bares, restaurantes e supermercados já discutem alternativas para enfrentar os impactos financeiros e operacionais das mudanças. A saída deve ser a mesma em outros estados inclusivo o Piauí.
CONSUMIDOR DEVERÁ PAGAR A CONTA EM BARES E RESTAURANTES
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, afirma que o setor estuda reduzir os dias e horários de funcionamento e negociar maior flexibilização das relações de trabalho.
Entretanto, segundo ele, independentemente da alternativa adotada, o aumento dos custos deverá ser repassado aos clientes.
Righetto alerta que os estabelecimentos poderão enfrentar dificuldades para manter a qualidade dos serviços, especialmente diante da necessidade de ampliar as equipes e da escassez de profissionais disponíveis.
“Vamos acabar tendo que repassar para o consumidor final, vai ser algo bastante duro para todo mundo”, afirmou.
Na prática, o consumidor poderá encontrar bares e restaurantes com preços mais elevados, horários reduzidos e até estabelecimentos fechados em determinados dias da semana.
MÁQUINAS OCUPAndo O LUGAR DE TRABALHADORES NOS SUPERMERCADOS
No setor supermercadista, uma das alternativas estudadas é acelerar os investimentos em automação e inteligência artificial, reduzindo a dependência de funcionários em determinadas atividades.
Grandes redes possuem maior capacidade financeira para implementar tecnologias que substituam postos de trabalho, enquanto pequenos supermercados enfrentam dificuldades para absorver os custos da nova jornada.
No caso de redes de supermercados como o Matheus, com atuação no Ceará e Piauí, por exemplo, os caixas de autoatendimentos já estão espalhado pelas lojas, tirando empregos dos operadores de caixas.
Segundo o secretário executivo da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Antonio Sales, também estão em avaliação mudanças nos horários de funcionamento e escalas de revezamento, concentrando os funcionários nos períodos de maior movimento.
O representante do setor alerta que, embora a redução da jornada possa gerar novas contratações, também existe o risco de aumento dos custos operacionais e redução de vagas em atividades que possam ser automatizadas.
De acordo com estimativas citadas pela entidade, o impacto financeiro imediato na folha de pagamento dos supermercados poderá representar um aumento de 15% a 20%.
FARMÁCIAS ESTUDAM ADAPTAÇÕES
O setor farmacêutico também avalia mudanças nas escalas, utilização de horas extras e investimentos em tecnologia.
A rede Drogasil já adotou a escala 5x2 em todas as suas lojas no Brasil desde janeiro de 2026, após uma implementação gradual iniciada em 2025.
MENOS DIAS DE TRABALHO, MAS COM POSSÍVEIS IMPACTOS NOS PREÇOS E EMPREGOS
O fim da escala 6x1 representa uma mudança significativa na organização do trabalho brasileiro, com a ampliação do descanso semanal dos empregados.
Entretanto, as reações dos setores empresariais indicam que a medida também poderá provocar reajustes de preços, como já dizia todos que eram contra a PEC, redução de horários de atendimento e aceleração da substituição de trabalhadores por tecnologias.
O principal desafio será conciliar a melhoria das condições de trabalho com a preservação dos empregos, a sustentabilidade das empresas e o poder de compra dos consumidores.



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