Quem ficou em cima do muro no primeiro turno da eleição presidencial desceu, e desceu com tudo. Prefeito de Altos, delegado Charles Pessoas, são apenas dois exemplos no Piauí. Em Campo Maior, o prefeito João Félix, antigo rival do PT, aliou-se ao governador reeleito Rafael Fonteles (PT) em 2026, mas, em relação à candidatura de Lula à Presidência, manteve-se afastado.
Um dos projetos que foram cartões-postais da campanha de João Félix em 2020, e reforçado na reeleição em 2024, foi a promessa de construir 2 mil casas para entregar à população. Dos quatro anos de seu primeiro mandato, dois foram com Bolsonaro na Presidência e os outros dois com Lula. Ambos com zero casa. É aí que entra uma história interessante.
Na eleição presidencial de 2022, João Félix ficou quieto no primeiro turno, mas, no segundo, foi a público pedir votos para Bolsonaro. Seu argumento era que, “com Bolsonaro, iria construir as 2 mil casas do programa Casa Verde e Amarela. Sem ele, tudo o que havia feito para vencer a burocracia para a construção das casas ficaria indefinido”.

Até aquele momento, com dois anos de mandato e tendo Bolsonaro na Presidência, João Félix não havia construído sequer uma casa. Bolsonaro perdeu, Lula assumiu e, em 2025, já no início de seu segundo mandato como prefeito, João Félix conseguiu a liberação de 271 casas por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo Lula, com financiamento da Caixa Econômica Federal. As obras demoraram, mas, na virada de 2025 para 2026, finalmente começaram.

São três conjuntos habitacionais construídos lado a lado. O primeiro contará com 94 casas, ao custo de R$ 12.220.000,00; o segundo terá 100 unidades, com investimento de R$ 13 milhões; e o terceiro, terá 77 residências, ao custo de R$ 10.010.000,00. Ao todo, são 271 casas, com investimento total de R$ 35.230.000,00, o equivalente a R$ 130 mil por unidade habitacional. As 271 moradias representam apenas 13,55% das 2 mil casas prometidas. As obras estão em andamento, mas nenhuma das unidades foi concluída até o momento.

Será que agora o prefeito vai fazer cartazes ao lado de Lula? Vai conceder entrevistas à imprensa, como fez há quatro anos, alegando que, caso Lula não vença, as casas poderão não sair? Nem as 271 já iniciadas, muito menos as outras 1.729 que faltam para cumprir seu projeto pessoal de construir 2 mil casas?

Afinal, se em 2022 a continuidade de Bolsonaro era apresentada como condição para a construção das casas que nem existiam, na prática, qual será o argumento de João Félix agora que as obras começaram no governo Lula e este busca sua reeleição prometendo justamente continuar com programas sociais como e de moradia?
CONTEXTUALIZANDO A HISTÓRIA POLÍTICA DE JOÃO FÉLIX E O PT
O prefeito de Campo Maior, Joãozinho Félix, iniciou sua trajetória no Executivo municipal com o apoio e apoiando do então governador Mão Santa (1997–2001). Depois, passou a apoiar Hugo Napoleão (2001–2002), que assumiu o governo após a cassação do mandato de Mão Santa. Com a eleição de Wellington Dias, em 2002, João Félix passou a integrar o campo de oposição ao governo estadual, posição que manteve por mais de duas décadas.
Na sua migração política do município de Jatobá do Piauí para Campo Maior, em 2004, onde foi eleito e reeleito prefeito, tendo o mandato cassado em 2011 por ser considerado prefeito itinerante, uma das principais bandeiras de João Félix era o enfrentamento ao PT. Naquele período, seu principal adversário em Campo Maior era o, então, empresário Paulo Martins, que contava com o apoio do PT estadual. Os confrontos políticos eram marcados por acusações graves, incluindo referências à formação de quadrilha por parte de João Félix contra o PT.
Com a eleição suplementar de 2011, vencida por Paulo Martins (PT), João Félix ficou afastado do comando da Prefeitura de Campo Maior por quase dez anos, retornando ao poder em 2021, novamente como adversário do PT.
Mas, em 2026, João Félix se aliou ao governador Rafael Fonteles (PT), após mais de duas décadas de enfrentamento político ao partido.
Nas urnas, Rafael Fonteles passou de 14.759 votos (55,60%) em Campo Maior, em 2022, quando João Félix liderava a oposição, para 18.610 votos (68,62%) em 2026, já contando com o apoio do prefeito. Foram 3.851 votos a mais e não fica claro que a aproximação com João Félix contribuiu para esse crescimento, considerando que Rafael também ampliou sua votação no do Piauí.
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