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  23:11

 Fonte: Google Imagens

                Ano eleitoral é um período em que ouvir algumas rádios ou acessar certos portais de notícias em Campo Maior (PI) vira uma grande suruba entre informação e partidarismo. Bastar ligar o rádio ou acessar a internet que o cidadão observará como alguns meios de comunicação locais se esqueceram de noticiar os fatos para focar na defesa ou no ataque de algum padrinho político. O que se vive aqui é a dependência de certas mídias locais pelo dinheiro das oligarquias políticas de situação ou oposição.

                Em Campo Maior, por exemplo, um ano antes de eleições políticas, certas rádios e portais anunciam que o candidato X é a esperança da cidade, o progresso para a região, o futuro dos munícipes; já o candidato Y é desprezível, salafrário de carteirinha, cretino credenciado à política bipolar local. Infelizmente ainda reina na cidade uma assessoria de impressa que se camufla de jornalismo a fim de vender uma ideologia partidária quando simplesmente devia assumir que está a serviço de um candidato de partido político, o que não é problema algum; mas não: o assessor partidário finge informar os fatos com isenção ao povo como se produzisse jornalismo imparcial (imparcialidade! velho mito superado a priscas eras pela imprensa profissional).

Separar o joio do trigo

                Mas há boas rádios, jornais e portais de notícias em Campo Maior. Elas são mídias com uma programação jornalística de primeira qualidade, com abertura para o leitor, ouvinte, ou internauta opinar e espaço para cada candidato dizer sua verdade. Tudo feito sem descalabro, provincianismo e politiquice. Os meios de comunicação locais que agem assim, ou se sustentam a duras penas porque não se vendem, ou fecham as portas por não poderem competir com uma concorrência local tão lacaia.

            Não é à toa que no início do século 21, partidos políticos detinham 45% das rádios e portais nas grandes e pequenas cidades do Brasil, o que deixou o jornalismo cair em descrédito diante da população. Não digo que o jornalista não possa ter um partido político em que acredita. Toda ação pública é também política. O que não se pode fazer é transformar seu programa de notícias em assessoria de imprensa de particulares como se o programa noticioso defendesse a causa pública, sendo que é o interesse partidário que pauta a “notícia” veiculada.

            Até entendo a situação de alguns comunicadores de cidade pequena: pouco emprego na região, pressão de grupos de influência, coronelismo mediático, audiência influenciável. Difícil não cair na espiral do silêncio midiático: “Ou você aceita a situação ou está fora do jogo das cadeiras, ouviu!?” E em Campo Maior ouve-se de tudo. Houve até uma marcante discussão entre dois deputados da cidade na década de 1990 (Carbureto x Cesar Melo). Eles bateram boca no centro comercial do município e continuaram a lavação de roupa suja em suas respectivas rádios. Foi uma esculhambação histórica.

"Mentiras sinceras me interessam"

            Hoje o comunicador mais inflamado, de converseiro comprido, bate no teclado do computador ou na mesa de som e afirma ao vivo que seu programa de notícias é imparcial, objetivo e só fala a verdade. Mal sabe o tal comunicador que imparcialidade, objetividade e verdade são os três grandes mitos do jornalismo tradicional do século passado.

            Primeiro porque nenhuma notícia é imparcial, ela nasce de uma escolha, de uma seleção do foco que é dado ao evento. Uma escola que desmorona pode se consequência tanto do mau projeto de um engenheiro quanto do descaso do poder público referente à manutenção daquele patrimônio.  Segundo que jornalista não é objetivo – nem cientista da NASA é objetivo! – Objetivo é a técnica jornalística que seleciona o fato ocorrido e apura o foco a ser noticiado. Terceiro: ora, se nem Sócrates, Platão e Aristóteles, filósofos argutos e exegetas que foram não ousaram dizer o que é a verdade, quem é o jornalista para afirmar que seu programa de notícias só fala a verdade, doa a quem doer!?

Os fins justificam os meios... de comunicação!

            Em tempos de campanha eleitoral alguns impressos, rádios e portais continuarão com seus programas culturais e informativos. Outras se coligarão com alguma oligarquia partidária que afirma falar só verdades convenientes. Creio que a população deve se preparar para ler, ouvir e ver muita pós-verdade em algumas mídias locais.

            Portanto, das lições do jornalismo moderno é bom lembrar que um fato sempre terá três versões: a minha versão, a sua versão e a verdadeira.

            Doa a quem doer... porque dói mesmo.

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