A rotina de gastos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostra que o empresário mantinha um padrão de vida altamente luxuoso ao mesmo tempo em que é investigado por aplicar golpes bilionários. Às vésperas de sua prisão pela Polícia Federal, ele continuava ostentando despesas que chamaram a atenção dos investigadores pelo volume e pela regularidade.
Relatórios financeiros analisados pela PF indicam que, em vários meses do último ano, as faturas do cartão de crédito de Vorcaro ultrapassaram R$ 1 milhão. O pico ocorreu em junho de 2024, quando o valor acumulado bateu R$ 2,4 milhões. Todas as despesas eram pagas por uma conta do Bradesco na região da Faria Lima, em São Paulo – movimentação considerada incompatível com a situação crítica enfrentada pelo banco.
Mesmo nos dias que antecederam sua prisão preventiva, em 18 de novembro, quando tentou embarcar em um jatinho com destino a Dubai, o ritmo de gastos permaneceu elevado: naquele mês, consumiu R$ 1,7 milhão no cartão. Só em setembro, os pagamentos já haviam atingido R$ 1,8 milhão.
O levantamento se refere apenas às movimentações da pessoa física do banqueiro e cobre o período entre 2016 e novembro de 2025. O ano mais expressivo foi 2023, quando circularam cerca de R$ 909,9 milhões entre créditos e débitos.
A lista de compras evidencia a vida de ostentação: grifes internacionais, acessórios exclusivos e serviços de alto padrão. Entre 2021 e 2023, Vorcaro gastou R$ 1,3 milhão apenas na Hermès. Há ainda lançamentos de R$ 366 mil na Saint Laurent, R$ 227 mil na Bvlgari, além de pagamentos elevados a chefs renomados e buffets sofisticados. Um detalhe que chamou a atenção foi a aquisição de bicicletas avaliadas em R$ 542 mil, vendidas por uma empresa ligada a um atleta campeão de mountain bike.
Para os investigadores, o conjunto desses dados reforça a imagem de um investigado que esbanjava luxo enquanto sustentava um esquema de irregularidades, ampliando as suspeitas no caso que envolve o Banco Master.

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