Um decreto assinado pelo prefeito de Campo Maior, João Félix determinou a exoneração de todos os ocupantes de cargos comissionados, de confiança e funções gratificadas, com efeitos retroativos a 2 de janeiro de 2026, preservando apenas secretários municipais, controlador, procurador-geral e adjuntos, além das situações de estabilidade legal.
O texto do decreto também condiciona novas admissões à realização de recadastramento funcional e à autorização expressa do chefe do Executivo, reforçando o controle centralizado sobre quem entra e quem permanece na máquina pública municipal.
Dados públicos indicam que a Prefeitura de Campo Maior recebeu, apenas em 2025, cerca de R$ 300 milhões, o que relativiza a tese de aperto financeiro e amplia o debate sobre a real motivação do chamado “canetaço”.
Nos bastidores, fontes ouvidas pela reportagem do Campo Maior em Foco apontam que o decreto vai além da gestão fiscal e se insere no tabuleiro político de um ano eleitoral. A leitura corrente entre aliados e servidores é a de que a demissão em massa funcionaria como um recado direto a quem atua na prefeitura e a lideranças políticas: só permanece quem estiver alinhado integralmente ao grupo do prefeito.
Pressão política em ano eleitoral
Ainda segundo relatos de bastidores, o gesto estaria conectado à pré-campanha do filho do prefeito, Dogim Félix que deverá tentar novamente uma vaga de deputado estadual. A exoneração coletiva, nessa interpretação, serviria como instrumento de pressão sobre vereadores e lideranças locais para garantir apoio político exclusivo.
Há informações de que ao menos três dos oito vereadores da base já teriam firmado compromisso com deputados de fora do grupo político do prefeito, movimento que estaria sendo visto como inadmissível pelo núcleo mais próximo do gestor. A mensagem, repetida em conversas reservadas, seria clara: não haverá espaço na administração para quem não acompanhar 100% o projeto político do prefeito.
Enquanto o debate político esquenta, centenas de famílias vivem a incerteza provocada pela exoneração coletiva. Embora cargos comissionados sejam, por natureza, de livre nomeação e exoneração, especialistas em administração pública alertam que decisões abruptas e em bloco podem comprometer a continuidade dos serviços e gerar instabilidade institucional.
O decreto é legal do ponto de vista formal. A controvérsia, no entanto, reside no contexto e nos efeitos. Em uma cidade onde a prefeitura é uma das principais empregadoras, o gesto tem peso econômico, social e político.





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