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10/05 09h59 2016 Você está aqui: Home / Pensando a História Marcus Paixão mvpaixao@yahoo.com.br

Não vai ter golpe - The Walking dead Brasil

Como é que o cenário político nacional influencia na nossa política de Campo Maior? O Pastor, professor e Historiador Marcus Paixão responde.

Esse texto é baseado na série The WalkingDead, e se fosse um capítulo da série, seria: A zumbilândia política tupiniquim. Me acompanhe.Hoje aconteceu o que era, de certa forma, previsível. O Governo Federal tentou mais uma vez manobrar a situação política para evitar o inevitável: o impeachment da presidente Dilma. Previsível porque o governo, mesmo estrebuchando, não é mais capaz de sair dessa situação de falência múltipla. Eu acompanhei o noticiário na grande rede, primeiro porque fui “convidado” por partidários da presidente a ver as notícias e acompanhar a “vitória do governo” contra o que chamam de “golpe”. O mantra zumbídico dos partidários, que repetem a frase “não vai ter golpe” já está por demais horripilante e cinematográfico. Eu até ri de alguns mais entusiastas, porque sei que é inútil gastar energia em causa perdida.

 

O deputado Valdir Maranhão, chamado por outros deputados de lacaio do governo, tentou arrumar uma solução, procurando invalidar o grito das ruas e o voto da maioria arrasadora da Câmara dos Deputados, superior, inclusive, ao número de votos necessários. Dilma está saindo porque cometeu crime fiscal. Porém discutir isso com os partidários significa que os argumentos serão circulares, não levando a discussão a diante, porque quando não conseguem responder as acusações contra a presidente, eles sempre repetem o mantra “não vai ter golpe”, e a conversa se esvai em palavras de ordem, típicas da esquerda.

 

É difícil entender como alguém não consegue entender o que a maior parte do brasil já entendeu, incluindo aqui as instituições que, embora aparelhadas pelo governo, não conseguem ainda golpear a constituição. Veja: o STF já se pronunciou oficialmente, destacando aqui os ministros Lewandowski e Dias Toffoli, declarando que a ação impetrada contra Dilma não é um golpe. Essa é a mesma posição da OAB, do STJ, do MP, e ainda dos principais veículos da imprensa livre, escrita e televisiva, e ainda é o entendimento da maioria esmagadora do povo brasileiro nas ruas. Mesmo diante da voz das instituições e do povo, o mantra necrótico do The WalkingDead brasileiro prossegue murmurando bizarramente: “não vai ter golpe”.

 

Não se trata aqui de ser contra o PT. Eu mesmo reconheço que o governo do PT conseguiu alguns avanços nas áreas sociais (nessa mesma área tivemos também muitos retrocessos). O PT tem seus méritos conquistados e foi eleito democraticamente. Na realidade, precisamos ser contra um partidarismo cego, que insiste em não punir os culpados; aliás, pior ainda, insiste em proteger políticos culpados de corrupção. Chegando ao cúmulo de fazer deles heróis perseguidos e martirizados. Esse partidarismo é doentio e prejudicial a democracia; na verdade é típico das ditaduras e dos regimes totalitários. Engraçado é que muitos dos partidários ainda têm a ingrata ignorância de nos orientar a estudar a história. Na verdade, por ser historiador, tenho envergadura acadêmica para dizer o que digo. É justamente por ser um historiador que sei que os regimes socialistas e totalitários sempre fracassaram e agiram como os partidários estão agindo nesse momento. Prova disso são os fatos históricos registrados na Rússia, na Coréia do Norte, em Cuba, e nos países da América do Sul (Venezuela, Bolívia, etc.).

 

Justiça e imparcialidade é algo importante e que prezo. Por isso que o partidarismo cego faz tanto mal, porque quando se adentra nesse tipo de política meramente partidária, apenas o que o seu partido faz é bom; todos os demais partidos são inimigos e defendem ideais malignas. Não acho que essa deva ser a nossa postura na política. A direita brasileira está infestada de corruptos históricos como Maluf, Collor, Eduardo Cunha, e mais recentemente acusações sérias contra o senador Aécio Neves e Renan Calheiros. Os partidos políticos do Brasil símbolos da direita (PMDB e PSDB) estão abarrotados de bandidos. Ser coerente significa não proteger ninguém (corrupto). Não proteger partido nenhum, nem o seu. Pensando bem, a melhor maneira de proteger o seu partido político é excluindo de suas fileiras os corruptos condenados pela justiça.

 

Como é que o cenário político nacional influencia na nossa política local? Primeiro porque o governo federal, até quarta-feira, ainda é PT. E Campo Maior é administrado por um prefeito do mesmo partido. Isso, no mínimo, vai trazer reflexos negativos. Mas seria injusto acusar o prefeito pelos crimes e desmandos do partido a nível federal. E eu penso que é aqui que a direita que se opõe ao PT se torna partidária e perde a razão. O prefeito Paulo Martins deve ser avaliado pela sua gestão, não pela gestão da presidente Dilma. Se alguém acha que ele deve responder na justiça, pois que responda por seus erros, caso os tenha cometido, e não pelos erros do governo federal. O cidadão politicamente capaz vai saber fazer a devida distinção, mas o viciado em partido político vai agir exatamente igual aos partidários petistas que tanto reprovam. Minha opinião quanto ao trabalho do prefeito de Campo Maior é positiva, bem diferente da minha opinião em relação ao governo federal. Por que? Simplesmente porque procuro fazer as devidas distinções. Você condenaria o irmão mais novo pelo simples fato de que seu irmão mais velho é um criminoso? Isso não é justiça.

 

Precisamos de mais maturidade política e de menos trincheiras. A guerra, quando levada a esses termos, se torna uma guerra injusta. E até na guerra existe regra! O cidadão precisa apurar profundamente sua consciência política, coisa que ainda é rara em nosso país. O brasileiro ainda é inclinado a votar por favores e não por um exame minucioso do candidato. Enquanto for assim, teremos o Brasil que escolhemos, e seremos vítimas de nossas próprias escolhas erradas.Enquanto não chegamos lá, é óbvio que o mundo vai continuar rindodo Brasil e de sua política The WalkingDead.


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