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01/03 13h26 2016 Você está aqui: Home / Blog da Ana Ana Maria Cunha campomaioremfoco@hotmail.com

NA ROTA DA CULTURA IV

QUEM É O CUNHA NETO, O HOMEM QUE DEU NOME AO PRIMEIRO SALICAM

Ainda estou muito surpresa e ao mesmo tempo feliz pela escolha de Cunha Neto para denominar o Primeiro SALICAM, ver o nome de um sertanejo pobre, simples e humilde, ladeado de dois grande nomes da literatura brasileira me deixa muito contente. Na verdade vejo isso como uma motivação para que todos nós, simples mortais, possamos continuar em busca de nossos sonhos, isso mostra que há espaço para todos neste mundo, depende muito de cada um pra encontrar o seu.

 

Meu pai, o Cunha Neto, era um desbravador, muito “atrevido” para a sua época, sonhou ser poeta e foi. Sonhou sair do interior e saiu. Sonhou  conhecer o Brasil e conheceu. Sonhou ser feliz e foi. Vou descrever aqui algumas passagens de sua vida para que vocês conheçam melhor o homem que deu nome ao primeiro SALICAM.

 

JOSE CUNHA NETO, nasceu a 02 de junho de 1924, em Campo Maior, Piauí. Filho dos agricultores Antonio José da Cunha e Mariana Leite Cunha.

 

Casou com Ana Assunção Oliveira Cunha com quem teve teve três filhos: José Cunha Filho, Ana Maria Oliveira Cunha e Maria Goretti Oliveira Cunha.

 

Foi lavrador, comerciário, vendedor ambulante, comerciante, caixeiro viajante, radialista e camelô, funcionário público na EMATER - PI tendo ali se aposentado.

 

Foi vereador de Campo Maior por duas legislaturas. Chegou a ser presidente da Câmara, por algum tempo. Na terceira vez que se candidatou perdeu a eleição, mas levou na esportiva e ainda ganhou dinheiro com isso, escrevendo o folheto “E a porca me comeu” que teve grande repercussão na época. Sim, porque ele conseguia “ganhar dinheiro” com sua arte, coisa rara no meio literário. Como verreador, participou do primeiro congresso de Vereadores do Brasil, realizado em Fortaleza, em 1983.

 

Estudou as primeiras séries em uma escola particular  em Nazaré, hoje Nossa Senhora de Nazaré,  na época era município de Campo Maior, na famosa  escola do “Mestre Zumba”, que era seu tio.  Fez o Ginásio (ensino fundamental) no Ginásio Santo Antonio, em Campo Maior, e posteriormente, já casado fez o científico (ensino médio) em Belém do Pará onde residia na época.

 

Saiu de casa muito cedo, aos 12 anos e foi morar em Campo Maior, depois mudou-se para Fortaleza, chegando a levar, mais tarde, os pais e os irmãos. Voltou depois a Campo Maior, trazendo de volta a família. Mudou-se em seguida para Belém do Pará onde morou por muitos anos, e para onde levou a esposa logo após o casamento. Voltou novamente para Campo Maior, de onde não mais saiu, a não ser a passeio. Dizia “sou caboclo do sertão e não deixo o meu torrão por qualquer um cabedal”.

 

Orgulhava-se de conhecer o Brasil quase todo, do Amazonas ao Rio Grande do Sul.   E de fato para quem nasceu pobre, no interior de uma cidade pequena, sem perspectivas ou apadrinhamentos, conseguir apenas com a cara e a coragem, desbravar caminhos e percorrer lugares que poucos conseguiriam nas condições que ele conseguiu, é mesmo motivo de orgulho.

 

Gostava de colecionar raridades; tudo o que era diferente ou novidade lhe interessava. Morando em campo Maior, ia todos os anos ao Pará e ao Amazonas, mais especificamente a Zona Franca de Manaus, de onde trazia tudo que era de novidade na área da tecnologia para comercializar em Campo Maior. Foi ele inclusive que trouxe de lá o primeiro gravador para Campo Maior. Era comerciante nato. Exímio na arte de comprar e vender. 

 

Escreveu Literatura de Cordel - o primeiro folheto foi escrito em 1942,quando tinha  22 anos, intitulado “Ladrão de Frito” que narra o episodio acontecido com ele, quando em uma viagem lhe roubaram a lata de frito, que naquela época era costume se utilizar nas viagens que eram cansativas e longas.

 

Não escrevia ficção, seus temas eram fatos e acontecimentos em geral,  tendo publicado ao todo 135 obras. Gostava de ser poeta, e costumava dizer que “poesia é dom, não se ensina e nem se aprende”.

 

Era dotado de um incrível bom humor, gostava de brincar com seus amigos e pessoas mais intimas,  e adorava contar piadas. Homem de muitos amigos, era um pai extremamente amoroso e procurou nos ensinar especialmente a honestidade, tanto com palavras como com o exemplo.

 

Escreveu dentre outros folhetos: “carro velho”, “a lagoa do Corró”, “Adeus Belém do Pará”, “O Piaui cantado em versos”, “vida de um menino pobre”, “vida e morte de Luis Gonzaga”, “A Saudade da saudade”, etc

Participou do 1º Congresso de Poetas e Trovadores do Brasil, realizado em Brasília em 1992

Era membro da Academia Brasileira dos poetas e Trovadores com sede em Uruguaiana – RS

Era Membro da Ordem Brasileira dos Poetas de Literatura de Cordel, com sede em Salvador - BA

 

 Participou da Caravana de Inauguração da rodovia Belém – Brasília (organizada pelo presidente Juscelino Kubitschek) em janeiro de 1960, como repórter. Além de escrever um folheto sobre os acontecimentos, ele registrou tudo em fotografias, desde a celebração da missa, na saída,  até a chegada ao destino final. São mais de 50 fotos em preto e branco que mostram detalhes do difícil feito por aqueles desbravadores.   

 

Era Membro Fundador da Academia Campomaiorense de Artes e Letras – ACALE, ocupando a cadeira nº 12.

 

Devoto de Nossa Senhora, era católico praticante, participava do ECC, Encontro de Casais com  Cristo, e frequentava a missa todos os domingos. Praticava a caridade e a generosidade, talvez seja esta a sua marca registrada. 

 

Faleceu a 07 de fevereiro de 2010, aos 86 anos. Morreu em casa, como era o seu desejo, vitima de uma doença que lhe acompanhava já a alguns anos, a Depressão, que lhe tirou toda a vontade de viver. Foi velado em sua residência, recebeu homenagem na câmara municipal e na Igreja. Foi enterrado no Cemitério do Chumbinho, interior de Nossa Senhora de Nazaré, onde reposam a maioia de seus antepassados.  


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