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09/12 16h41 2015 Você está aqui: Home / Pensando a História Marcus Paixão mvpaixao@yahoo.com.br

Políticas públicas no açude grande. Uma retrospectiva histórica

Chamado pela maior parte da população campo-maiorense de Açude Grande de Campo Maior, é importante observarmos inicialmente que ele não é mais tão grande como já foi um dia.

Por: Pr. Marcus Paixão

 

Os olhos da população de Campo Maior mais uma vez estão voltados para o nosso Açude Grande. O motivo da atenção é mais uma reforma que se inicia na sua bacia, dessa vez levada a cabo pelo atual prefeito Paulo Martins. Ele não é o primeiro gestor a se preocupar com o açude central de Campo Maior. A história nos mostra que outros prefeitos e vereadores da cidade já demonstraram interesse em promover melhorias no açude. Algumas tentativas resultaram em avanços para o açude, mas a maioria dos projetos foram falidos e terminaram por agredir nosso cartão postal.

 

Chamado pela maior parte da população campo-maiorense de Açude Grande de Campo Maior, é importante observarmos inicialmente que ele não é mais tão grande como já foi um dia. Nos primórdios do povoamento de Campo Maior, antes mesmo da existência da vila, não havia açude, contudo havia a grande lagoa que servia os primeiros povoadores de nossa terra. A água de Campo Maior sempre teve um retrospecto histórico ruim. Considerada salgada e salobra, turva, os povoadores se aproveitavam especialmente das águas da grande lagoa para o consumo. Esse foi o primeiro motivo que despertou algum tipo de preocupação política com as águas do açude. Esse fato pode ser constatado nas anotações do Almanaque da Parnaíba de 1934, num excelente texto produzido pelo campo-maiorense Joel Oliveira, e depois reproduzido e ampliado pela professora Marion Saraiva no jornal A Luta, na edição do ano de 1968. O texto aponta as medidas que foram tomadas em 1764 pela Câmara do Senado de Campo Maior para proteger as águas da lagoa grande. As medidas entraram em vigor naquele mesmo ano, com duras penalidades a qualquer pessoa que desobedece a lei. Como já sabemos, a lagoa grande veio a se tornar, décadas depois, no belo Açude Grande de Campo Maior. Desde então, a história política e social de Campo Maior jamais se desvinculou do açude grande.

 

Os últimos três prefeitos de Campo Maior fizeram algum tipo de obra no açude ou no seu entorno, especialmente o prefeito Raimundo Nonato Bona Carbureto. Mas mesmo antes dele, o açude sempre foi palco político, de interesses, sejam estes interesses de políticos gananciosos, sejam de alguns que realmente sonharam em realizar alguma obra na velha aguada da cidade. As obras no Açude Grande foram intensificadas a partir da década de 1940, quando os projetos urbanísticos de Campo Maior começaram a se desenvolver mais para a área do entorno da lagoa. Nesse momento histórico os bairros Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Lourdes, São João e São Luís, começavam a surgir, propondo avanço urbano para a cidade e dando mais visibilidade ao açude. Em 1958, na gestão do prefeito Oscar Castelo Branco (1955 – 1959), a prefeitura fez doação de terras nas margens do Açude Grande para a criação do Iate Clube Laguna.

 

Na década de 1960, a Câmara dos Vereadores debate a contaminação do açude. Em um dos seus discursos, o vereador Olímpio Castro chama atenção para o perigo que a população estava passando “... Mas é do açude que a população pobre que não pode adquirir uma água melhor, se abastece... Ruim com ela, mas pior sem ela”. Ele falava contra a prática esportiva e de lazer. O discurso foi assustador, visto que foi divulgado um laudo médico constatando o risco que a população corria em beber a água do açude, já totalmente arruinada. No mesmo período surgiu um surto de doenças na população de Campo Maior que foi relacionada ao consumo da água do açude. No fim dessa década a BR 343 foi alargada no perímetro urbano, levando a grandes reformas nas paredes do açude, que foram grandemente alargadas e levemente alteradas em seu traçado original, de 1859.

 

Durante esse período toda a área em volta do açude ainda era mais isolada. Não havia iluminação pública, e as pessoas que residiam nas margens do açude viviam sem muita perspectiva de melhoria e em completa escuridão. As trevas só foram dissipadas quando o prefeito Dácio Bona (1973 – 1977) mandou iluminar as margens do Açude Grande.

 

  Ainda na década de 1970 foram dados os primeiros passos para o que seria a Praça Cícero Correia Lima (atual Praça Valdir Fortes), na gestão do prefeito Raimundinho Andrade (1967 – 1971). No entanto, esta praça foi finalmente concluída e inaugurada no governo do prefeito Mamede Lima (1977 – 1983). A primeira das grandes intervenções que o Açude Grande sofreu aconteceu na gestão de Mamede Lima, quando o prefeito decide construir a Alameda Dirceu Arcoverde, separando o açude em duas partes, criando, assim, a pequena lagoa. Em 1981 foi construída a sede da AUCAM, nas margens do açude.

 

Cézar Melo, em seu mandato de prefeito (1983 – 1988), não tocou no açude, mas o seu sucessor, Carbureto (1989 – 1992), fez a construção de um dique, fortalecendo e alargando toda a extensão do açude no contorno da BR 343. No mandato do Carbureto foi constante a presença de máquinas pesadas trabalhando no açude. Foi essa construção que possibilitou a prática de atividade física com mais segurança, visto que o espaço para o trânsito de pedestres foi realizado juntamente com essa obra. Outra obra do prefeito Bona Carbureto foi a construção e pavimentação da Alameda Waldeck Bona, que contorna a segunda lagoa. Infelizmente essa obra foi mal projetada, ficando a alameda em alguns pontos abaixo do nível da água. Marco Bona (1993 – 1996) fez muitas obras em Campo Maior, mas nenhuma obra de destaque no açude. O prefeito João Félix transplantou carnaubeiras no passeio do açude que margeia a BR 343 e construiu a Praça Valdir Fortes e seu complexo de eventos.

 

Agora, novamente ouvimos o barulho das máquinas trabalhando no Açude Grande de Campo Maior. O atual prefeito Paulo Martins promete ampliar mais ainda o passeio do açude, criando ciclovias sinalizadas e melhorando o passeio dos pedestres. Também faz parte do projeto arborizar toda o contorno do açude, além de limpar toda a sujeira armazena há séculos e aprofundá-lo. É uma grande obra a ser realizada, de inegável urgência, pois o Açude Grande padece diariamente aos nossos olhos. Se o prefeito Paulo Martins realizar essa tarefa e não uma simples maquiagem com fins eleitoreiros, ele ficará marcado na história de Campo Maior como o único gestor que cumpriu a promessa de limpar e estruturar o Açude Grande.

 


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