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Após 26 anos de vitórias, Ciro Nogueira “fica no muro” e perde reeleição no Piauí

 Ciro foi Lula, Dilma e Bolsonaro em sequência. Foto: Divulgção

Depois de mais de duas décadas acumulando vitórias consecutivas nas urnas, o senador Ciro Nogueira (PP) sofreu neste domingo (4) sua primeira derrota eleitoral em 26 anos. Candidato a um terceiro mandato no Senado pelo Piauí, o presidente nacional do Progressistas terminou fora das duas vagas em disputa.

Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), candidatos apoiados pelo presidente Lula (PT), conquistaram as duas cadeiras destinadas ao Piauí. Ciro terminou na terceira colocação e, com isso, deixará o Senado ao fim do atual mandato, em fevereiro de 2027.

Sem Lula e sem Flávio: Ciro ficou no muro

A derrota ocorreu após Ciro adotar uma estratégia arriscada na disputa estadual bem definida entre ser PT ou ser adversário do PT. Mesmo sendo ex-ministro de Jair Bolsonaro e um dos principais críticos de Lula no cenário nacional, o senador preferiu fazer campanha no Piauí sem atrelar sua candidatura a um presidenciável.

Apoiar Lula estava politicamente fora de cogitação diante do posicionamento adotado por Ciro nos últimos anos. Por outro lado, o senador também evitou transformar sua campanha em um palanque para Flávio Bolsonaro, candidato da direita à Presidência. Na prática, enquanto Marcelo Castro e Júlio César exploraram a ligação com Lula, Ciro tentou percorrer um caminho próprio, sem carregar para sua campanha a polarização da disputa presidencial.

A estratégia pode ser interpretada como uma tentativa de evitar confronto direto com a força eleitoral do lulismo no Piauí e, ao mesmo tempo, romper com o campo político ao qual Ciro se vinculou nacionalmente nos últimos anos: o bolsonarismo, ainda bem fraco no Nordete e mais fraco ainda no Piauí. O resultado, porém, deixou o senador em uma posição intermediária, sem explorar a seu favor o pouco antipetismo no Piauí, enquanto seus concorrentes tinham Lula como cabo eleitoral. Júlio Cesar, considerado a terceiro força, segundo pesquisas, faz sua campanha como “Julinho do Lula”. E deu certo.

Não é possível atribuir a derrota a um único fator, mas a ausência de um palanque presidencial definido passa a integrar a análise do resultado de Ciro, especialmente porque as duas vagas acabaram conquistadas justamente pelos candidatos que fizeram campanha associados ao presidente Lula.

Primeira derrota desde 2000

A derrota interrompe uma longa sequência de vitórias de Ciro Nogueira. Desde que entrou na política, ele havia perdido apenas uma disputa eleitoral: a eleição para prefeito de Teresina, em 2000.

Antes disso, Ciro havia sido eleito deputado federal pela primeira vez em 1994, aos 26 anos, e conquistado a reeleição em 1998. Após a derrota para a Prefeitura de Teresina, retomou a sequência de vitórias: foi eleito deputado federal em 2002 e novamente em 2006.

Em 2010, deixou a Câmara dos Deputados após quatro mandatos consecutivos e conquistou pela primeira vez uma cadeira no Senado, com 695.875 votos. Oito anos depois, em 2018, foi reeleito senador com 897.959 votos, ficando em primeiro lugar na disputa daquele ano.

Assim, entre a derrota para prefeito em 2000 e a eleição deste domingo, Ciro venceu todas as quatro eleições que disputou: duas para deputado federal e duas para senador.

Pai também teve longa trajetória política

A presença da família Nogueira na política piauiense antecede a carreira do atual senador. O pai dele, Ciro Nogueira Lima, falecido em 2013, também ocupou cadeira na Câmara dos Deputados e disputou diferentes cargos no estado.

Ciro Nogueira Lima iniciou sua trajetória eleitoral como candidato a deputado estadual em 1966, quando ficou na suplência. Em 1982, foi eleito deputado federal pelo Piauí.

Quatro anos depois, em 1986, tentou chegar ao Senado, mas foi derrotado. Retornou às urnas em 1990 e conseguiu novamente uma cadeira de deputado federal.

Já afastado da vida política havia vários anos, voltou a disputar uma eleição em 2006, aos 73 anos, como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Mão Santa. A chapa não foi eleita.

Curiosamente, pai e filho acabaram experimentando derrotas em disputas pelo Senado com um intervalo de exatamente 40 anos: Ciro Nogueira Lima, em 1986, e Ciro Nogueira Filho, em 2026.

De deputado a ministro e presidente nacional do PP

Ciro Nogueira acumulou quatro mandatos de deputado federal entre 1995 e 2011 e dois mandatos consecutivos de senador.

Ao longo desse período, ampliou sua influência nacional e chegou ao comando do Progressistas. Entre 2021 e 2022, licenciou-se do Senado para assumir o Ministério da Casa Civil no governo do então presidente Jair Bolsonaro.

A derrota deste domingo encerra uma longa sequência de vitórias e pode inaugurar um período politicamente difícil para Ciro Nogueira. Além de deixar o Senado após 16 anos, o senador tem seu nome citado em investigações e episódios que incluem suspeitas de relações com integrantes do crime organizado e o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, acusações e suspeitas que Ciro sempre negou. Fora do mandato, seu cenário político também dependerá do resultado da eleição presidencial daqui a 21 dias. Nem mesmo uma possível eleição do bolsonarismo daqui a 21 dias pode lhe ajudar, afinal, ele negou apoio. Se Lula ganhar lá e Rafael já ganhou no Piauí, a coisa vai ficar feia.

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