A 3ª Promotoria de Justiça de Campo Maior, com apoio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), realizou, na manhã desta quinta-feira (13), a Operação Guarda-Mór. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cinco endereços nos municípios de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco.
A atuação do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) teve como objetivo localizar artefatos de valor histórico e cultural relacionados ao município de Campo Maior, à história do Piauí e à Batalha do Jenipapo, além de documentos pertencentes ao acervo judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí.

Segundo o promotor de Justiça Maurício Gomes, titular da 3ª PJ de Campo Maior, parte desse material estava na posse de representantes de fundação privada e em potencial situação de abandono e perecimento, o que exigiu providências para assegurar a guarda, avaliação e preservação. O promotor explicou ainda que entre os potenciais bens de valor histórico e cultural existem processos e livros de registros de compra e venda de pessoas escravizadas do Brasil Império.
Foram realizadas tentativas de contato com a procuradora e presidente da fundação responsável pelo acervo. Diante da falta de acesso e da ausência de informações sobre a localização do material, foi necessária a adoção de uma medida de busca e apreensão.
Operação

De acordo com o MP, a ação teve como finalidade localizar e preservar os documentos e arquivos. Agora, o material deverá ser catalogado e analisado por técnicos do Departamento de História da Universidade Federal do Piauí (UFPI). A intenção é identificar e determinar o valor histórico e cultural dos documentos apreendidos.
A denominação da operação faz referência ao Guarda-Mór, oficial responsável pela guarda e conservação dos arquivos públicos, documentos reais e cartórios no Reino e nas colônias. A figura simboliza a proteção, a tutela institucional e o resgate da custódia oficial da memória documental.

O trabalho foi realizado em parceria com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi), a Polícia Civil e historiadores do Núcleo de Pesquisa em História e Memória do Piauí, vinculado ao curso de História e à pós-graduação da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Peças históricas do Museu Zé Didor abandonadas
Em 2024, o Ministério Público do Piauí instaurou um inquérito civil para apurar o valor histórico e cultural das peças mantidas na Fundação Cardoso Neto, conhecida como Museu Zé Didor, em Campo Maior. O acervo, formado por documentos e objetos históricos, estava sem catalogação e em condições consideradas inadequadas de conservação.
O MP solicitou que órgãos municipais, estaduais e federais realizassem a catalogação das peças para identificar possíveis bens de relevância histórica e cultural.
Instalado no antigo prédio da estação ferroviária de Campo Maior, o museu foi criado e mantido por José Cardoso da Silva Neto, o Zé Didor, que morreu em dezembro de 2022. O espaço reúne documentos antigos e objetos ligados a personalidades do Piauí e do Brasil, incluindo peças atribuídas ao ex-presidente Floriano Peixoto e um busto de Humberto Castelo Branco.


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