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  19:47

El Niño ganha força e acende alerta para calor extremo, seca e aumento de incêndios no Piauí

O fenômeno climático El Niño já está instalado no Oceano Pacífico e deve ganhar força nos próximos meses. A avaliação é da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos, da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh), que alerta para impactos diretos no estado, principalmente no aumento das temperaturas, redução da umidade do ar, maior risco de incêndios florestais e, posteriormente, diminuição das chuvas.

O El Niño é um fenômeno natural e cíclico, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial acima da média climatológica. Segundo os especialistas da Semarh, o evento já está presente e apresenta mais de 60% de probabilidade de atingir intensidade forte a partir de setembro deste ano.

De acordo com o climatologista da Semarh, Pedro Aderaldo, os efeitos mais significativos ainda não são sentidos pela população, mas tendem a se intensificar nos próximos meses. “O El Niño já está instaurado, por enquanto em intensidade fraca . Ainda não estamos sentindo plenamente seus efeitos, mas entre setembro e fevereiro existe uma probabilidade superior a 60% de ele evoluir para se ter uma fase forte”, explicou.

Pedro Aderaldo destaca que o fenômeno é resultado do aquecimento anormal das águas do Pacífico central, o que provoca alterações nos padrões climáticos em diversas regiões do planeta, inclusive no Nordeste brasileiro. Para o Piauí, as primeiras consequências devem ser percebidas justamente no período mais quente do ano.

Segundo a meteorologista da Semarh, Sônia Feitosa, o principal impacto será a combinação de temperaturas ainda mais elevadas com baixa umidade relativa do ar. “O El Niño acontece justamente em uma época que já é naturalmente muito quente no Piauí. Por isso, teremos uma maior incidência de temperaturas extremas e redução da umidade do ar. Isso afeta a saúde da população, compromete a vegetação e aumenta significativamente o risco de incêndios florestais”, afirmou.

A especialista explica que, entre junho e novembro, a principal preocupação está relacionada às ondas de calor e ao ressecamento da vegetação. Já a partir do fim do ano e início de 2027, os reflexos podem alcançar o período chuvoso. “Se essa intensificação se confirmar até janeiro de 2027, poderemos ter impactos também sobre as chuvas. O alerta entre dezembro e fevereiro passa a ser para uma possível redução dos volumes pluviométricos, justamente durante a estação chuvosa”, ressaltou Sônia.

A meteorologista lembra, também, que o fenômeno já está em atuação, com 100% de confirmação, e que a tendência é de fortalecimento entre setembro deste ano e fevereiro do próximo ano, quando então deverá começar a perder intensidade. Além dos efeitos ambientais, a redução das chuvas pode trazer prejuízos econômicos e sociais, sobretudo para o agricultor familiar.

Conforme a Sala de Monitoramento da Semarh, a menor disponibilidade hídrica compromete a produção agrícola e a criação de animais, impactando diretamente milhares de famílias que dependem das precipitações para garantir a produção no campo. Historicamente, os últimos episódios mais intensos de El Niño ocorreram em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016, quando as temperaturas do Pacífico chegaram a ficar até três graus Celsius acima da média.

Agora, os especialistas acompanham a evolução do fenômeno e reforçam que o principal desafio para o Piauí será enfrentar um período de calor mais intenso, ar mais seco e maior incidência de incêndios florestais, com possibilidade de reflexos também sobre as chuvas no início de 2027.

 

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