Desde o momento em que a escola decidiu homenagear Luiz Inácio Lula da Silva, já era esperado uma série de problemas, desde o resultado na Sapucaí e uma possível punição ao futuro candidato. Se a escola conquistasse uma boa colocação, inevitavelmente surgiriam acusações de favorecimento, alegações de “maracutaia” e de que a vitória teria sido arranjada para impulsionar a imagem do presidente. Por outro lado, caso fosse mal avaliada, como ocorreu, vai ficar como a marca de uma escola derrotada, associada à figura de Lula e explorada no debate eleitoral, com cereteza.
A Acadêmicos de Niterói, que estreava este ano no Grupo Especial justamente com o enredo sobre Lula, acabou ficando em último lugar na apuração desta quarta-feira (18) e foi rebaixada. A escola recebeu apenas duas notas 10 e ainda enfrentou problemas na dispersão, o que agravou sua pontuação final.
Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola apresentou no domingo (15) a trajetória parcial de Lula desde a infância no Nordeste até sua chegada à Presidência da República. A narrativa incluiu referências à migração para São Paulo, ao trabalho como torneiro mecânico e à liderança sindical.
O desfile, porém, enfrentou problemas sérios na dispersão: alegorias ficaram presas na saída da avenida, houve correria no encerramento e um dos carros permaneceu no local após o término da apresentação. A escola seguinte, a Imperatriz, afirmou ter sido prejudicada pelo atraso.
Ações judiciais e pressões prévias
A escolha do enredo já vinha cercada de polêmicas. Antes mesmo de entrar na avenida, a Acadêmicos de Niterói foi alvo de pelo menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no TCU. O objetivo era impedir o desfile ou suspender repasses de recursos públicos.
Os questionamentos apontavam propaganda eleitoral antecipada, já que a legislação só permite manifestações eleitorais após 16 de agosto. Também houve tentativas de barrar a presença do presidente na Sapucaí e de restringir alegadas críticas a adversários.
O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que decidiu, por unanimidade, negar o pedido de liminar. Os ministros argumentaram que vetar o desfile seria uma forma de censura prévia, mesmo isso tendo sido visto pelo próprio STF no caso da "Brasil Paralelo" que rodou filme sobre a tentativa de assassinato com Bolsonaro.

A ala “Neoconservadores em conserva”: a polêmica das famílias dentro de latas
Um dos momentos mais comentados, e mais criticados, do desfile foi a ala “Neoconservadores em conserva”, na qual a escola colocou famílias representadas dentro de latas gigantes, como produtos industrializados. O conceito do carnavalesco era ironizar movimentos conservadores que, segundo a narrativa da escola, defenderiam uma sociedade “engessada” e “enlatada”.
Os evangélicos criticaram a ala das latas, algumas com adereços religiosos, considerada ofensiva por esses grupos.
Na segunda-feira (16), a escola divulgou nota afirmando ter sido vítima de perseguição ao longo da preparação para o carnaval, por causa do enredo escolhido.

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