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23/07 16h41 2020 Você está aqui: Home / Brasil Bianca Viana Imprimir postagem

Caso George Floyd do Piauí: Fábio Abreu é o policial que há anos pisa em pescoços nas periferias

Criado pela mídia, o deputado ataca jornalista, desrespeita os Direitos Humanos e está em campo tentando mais um salto na sua carreira política

Um ano após ser eleito deputado federal pela primeira vez, o então secretário de Segurança do Piauí, capitão Fábio Abreu, continuava colhendo os louros da forte campanha feita pela imprensa em torno de sua candidatura. Mediante isso, era difícil que qualquer veículo de comunicação viesse a tecer críticas contra a atuação e o trabalho do militar deputado/secretário.

No entanto, Abreu sempre apareceu na mídia como um grande descumpridor dos Direitos Humanos, humilhando criminosos e buscando tirar vantagens eleitoreiras em qualquer ação encabeçada pela Polícia Militar e pelas forças de segurança pública.

Um dos seus principais tutores foi o apresentador Ieldyson Vasconcelos, da TV Meio Norte. Eram raras as edições do programa Bom Dia Meio Norte em que Fábio Abreu não era o destaque com alguma prisão ou operação. À época, o capitão integrava a equipe das Rondas Ostensivas de Naturezas Especiais (RONE).

Por desavenças em relação aos interesses de cada um, a parceria teve fim. Contudo, com a máquina na mão, Abreu conseguiu galgar seu espaço junto à vários outros veículos, que sempre defenderam as ações da SSP-PI e de tabela as do deputado federal Fábio Abreu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AS BENÇÃOS DA IMPRENSA SOB FÁBIO ABREU


O endeusamento de políticos ainda é um grande problema no Brasil. Como prova está o lulopetismo e o bolsonarismo, duas correntes que se acirraram nos últimos anos, após a polarização PT e PSDB.

No Piauí, a situação não é diferente. Mas, quem também contribui é a mídia, a imprensa chapa branca, que é mantida através de recursos públicos e vive para bajular políticos, criando uma imagem de super gestores, deuses da política.

Na primeira eleição de Fábio Abreu, atualmente deputado federal, ele recebeu essa benção da imprensa local. Principalmente os programas policialescos que atingem as classes mais sofridas da população. Com forte apelo popular, quase que diariamente diversas reportagens e entrevistas ao vivo eram concedidas, com foco nos programas matinais.

Fábio Abreu era a cara da Polícia Militar do Piauí. Nenhuma ação que fosse veiculada na TV ou na imprensa digital ou impressa, aconteceria sem uma fala, uma foto, ou a participação do então capitão.

Foi aí que se iniciou uma gama de militares em busca de espaços na política, crentes que a mesma estratégia iria decolar. Cito alguns: Major Elizete, Coronel Carlos Augusto, Major Paulo Roberto, Sargento R. Silva, entre outros, que sempre defenderam a bandeira da segurança pública, mas somente buscam vantagens eleitoreiras em cima da classe e em cima da população consumidora desses conteúdos.

FÁBIO ABREU E AS PISADAS DE PESCOÇO

No último dia 27 de maio, um homem negro identificado como George Floyd, de 40 anos, de Minnesota, nos Estados Unidos, morreu após um policial branco pisar em seu pescoço por mais de oito minutos.

Ele chegou a ser encaminhado para um hospital local, mas não resistiu. Ao longo da ação, dezenas de pessoas que estavam por perto fizeram vídeos. George Floyd suplicou em diversos momentos para que o policial retirasse os pés de seu pescoço. O caso ganhou repercussão mundial e teve início uma campanha em defesa das vidas negras.

Ações como estas não são raras. Principalmente quando há por trás o viés político, a vontade de aparecer na mídia e passar a imagem de super-herói. Foi o que aconteceu com Fábio Abreu. Em 04 de dezembro de 2015, já secretário de Segurança do Piauí, ele pisou no pescoço de um adolescente que havia roubado um aparelho celular na Avenida Principal do Dirceu, zona Sudeste de Teresina.

Além de pisar, Abreu estava armado, com a pistola sacada e apontada para a cabeça do menino. Centenas de pessoas se aglomeraram no local e dezenas de fotos e vídeos foram compartilhados nas redes sociais. Era a consagração de um militar que havia entrado na política. Humilhação e abuso de autoridade são as palavras que caracterizaram a ação.

Em 29 de março de 2019, já na ânsia pela disputa da Prefeitura de Teresina, Abreu tomou posse como secretário de Segurança e empunhou um fuzil dentro do Palácio de Karnak, na frente das câmeras. Na oportunidade, em entrevista ao O Dia, ele já falava sobre ser candidato em 2020.

"Não é uma possibilidade descartada. Qualquer político tem que pleitear, porque, do contrário, ele perdeu a vontade. Enquanto você tiver vontade, você tem que estar pleiteando", disse.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OPERAÇÃO CINEMATOGRÁFICA
Alguns dias depois, em 5 de maio, uma mega operação culminou com a morte de cinco assaltantes que explodiram duas agências bancárias em Campo Maior. Na ocasião, até um helicóptero foi utilizado pelos policias.

Como de costume, Abreu posou para diversas fotos, empunhando armas e com trajes especiais da polícia. Em uma das imagens, ele aparece na carroceria de uma picape ladeado de policiais, todos eles armados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MOVIMENTOS NEGROS DENUNCIAM CASO EM SÃO PAULO

O movimento Coalizão Negra por Direitos (CND), formado por 150 organizações e movimentos negros do país, ingressou com uma representação contra a Polícia Militar de São Paulo e o governador João Doria (PSDB) na Organização dos Estados Americanos (OEA), exigindo providências no caso da comerciante negra que teve o pescoço pisado por um PM em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo.

No documento, a Coalizão Negra por Direitos justifica que diariamente a polícia do estado de São Paulo protagoniza "cenas de abusos e violências contra a população negra do Estado, em especial àqueles que residem nas periferias". 

"A violência contra essa mulher negra e periférica aconteceu cinco dias após a morte de George Floyd, cinco dias após um policial ter pisado contra a cabeça de um homem negro e ter ganhado tanta repercussão, vimos que os policiais aqui se sentiram legitimados para realizar o mesmo ato, já sabendo que aqui não seriam responsabilizados. Por muito pouco essa comerciante não teve sua vida tirada. Por muito pouco ela também não morreu porque não conseguia mais respirar", afirmou o coletivo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No Piauí, um pisão de Fábio Abreu acaba sendo comemorado. É só mais um na cartela de arbitrariedades do deputado federal que não respeita os direitos humanos e busca promoção a qualquer custo.

DENÚNCIAS DE ABUSO DE PODER

Na última semana, um pré-candidato a vereador de Teresina pelo PL, identificado como Manoel Messias, postou em uma rede social uma série de vídeos parabenizando Fábio Abreu por destinar máquinas para abertura de ruas na zona rural da cidade.

Uma fonte encaminhou print da publicação ao El Piauí. Na publicação, a localidade marcada é o Povoado Cacimba Velha. “Quero agradecer meu amigo Fábio Abreu pela ajuda na melhoria dessa estrada no povoado Cacimba Velha”. Pouco depois a publicação foi excluída da rede social.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há um mês, policiais militares foram denunciados após entregarem dezenas de cestas básicas em bairros da periferia de Teresina. Eles entregavam as cestas e fotografavam as famílias que recebiam. Em seguida, as imagens eram compartilhadas em grupos de WhatsApp, com a marcação do bairro e a região em que ele fica localizado. O caso ficou silenciado na imprensa, mas o jornalista Toni Rodrigues escreveu e publicou uma reportagem tratando da denúncia.

A IMPRENSA CONTRÁRIA É O ALVO DA VEZ

Recentemente veio à tona um caso envolvendo o jornalista Petrus Evelyn, um ferrenho crítico das ações da Secretaria de Segurança Pública e da gestão de Fábio Abreu frente ao órgão.

O deputado registrou boletim de ocorrência que acabou gerando forte atuação do Grupo Especializado de Combate ao Crime Organizado (GRECO) na quebra de sigilos fiscal, telefônico do jornalista independente Petrus Evelyn. Apesar, do Ministério Público ser contrário à medida, a Polícia Civil do Piauí, na época comandada pelo secretário de Segurança Fábio Abreu, conseguiu convencer a justiça que era necessária a medida para se investigar (ou caçar) o jornalista que era o responsável pela página O Piauiense.

Em resumo, a origem de tudo: Fábio Abreu foi chamado de “incompetente”, além de várias críticas com relação à sua atuação pública junto à Secretaria de Segurança e o aumento de roubos e outros crimes no Piauí. Um mero aborrecimento que está ganhando contornos de autoritarismo, com mais perca de tempo e dinheiro público e uma vergonha para o Poder Judiciário ter que se desgastar com um aborrecimento, um incômodo, tratado como crime pela Polícia.Fábio Abreu, quer ser prefeito de Teresina, mas não aceitou as críticas, não aceitou ser considerado “incompetente” se aborreceu e mobilizou a Polícia Civil, mas não é o autor dos processos e de ação judicial contra o jornalista. A ação cabe ao Ministério Público. A Polícia, claro, estava na época com Fábio Abreu.

 


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