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31/12 14h12 2015 Você está aqui: Home / Pensando a História Marcus Paixão mvpaixao@yahoo.com.br

O Açude Grande na mesa de cirurgia

Meu leitor leia esse texto até o fim. 


Ao trafegar no sentido Teresina a Parnaíba, rumo ao litoral piauiense, ou Teresina a Fortaleza, com destino às belas praias cearenses, o turista que escolher a principal rota de acesso (BR 343) vai ter o privilégio de passar por Campo Maior, deparando-se com uma das mais belas paisagens desenhada por Deus, no coração da terra dos carnaubais: o açude grande de Campo Maior! Nosso açude grande está lá, nas margens da BR 343 (antes da intervenção humana, uma gigantesca lagoa), imponente, belo, que provoca emoção, alegria, euforia, pulsações românticas, sem duvida nenhuma o mais belo postal de Campo Maior. 


O açude continua a atrair milhares de cliks de turistas das mais variadas partes do Brasil e do mundo. Isso é justificado porque poucas cidades brasileiras têm uma águada tão bela; e pouquíssimas cidades têm um lago no seu centro geográfico que proporcione tanto entusiasmo, onde em seu entorno pulsa uma cidade. Já falei muito sobre a história do açude em textos anteriores, muito embora minha pesquisa sobre a história da nossa grande lagoa esteja na íntegra no livro AÇUDE GRANDE DE CAMPO MAIOR, que escrevi em parceria com o Professor Celson Chaves, e que em breve será lançado para apreciação do público.


Atualmente a principal matéria discutida em Campo Maior é novamente o açude grande. Acerca de um mês o prefeito Paulo Martins deu início ao mais audacioso projeto de limpeza e revigoramento do açude campomaiorense. Por ser nosso cartão postal e por está localizado no centro da cidade – o que reforça o elo de ligação sentimental e a relação afetiva da população com o açude – as opiniões se dividem. Isso é natural e é até bom. O olhar vigilante do povo, que ama e zela o seu açude, pressiona nosso administrador a trabalhar sério e com o máximo cuidado, sabendo que está tocando em algo da maior importância. Paulo Martins tem que trabalhar como um cirurgião, que dedica todo seu saber, todo ser cuidado, toda sua força para salvar uma vida. A metáfora é muito bem empregada, tendo em vista que o nosso açude estava na UTI, com seus dias contados e o funeral encomendado. Preste atenção prefeito Paulo Martins, tenha a precisão cirúrgica, você está tocando em uma vida bastante debilitada, porém muito amada por seu povo. Pois o açude grande é do povo! É meu, é seu, é de Campo Maior, patrimônio impagável. 


Uma das grandes queixas da população da cidade, especialmente dos mais velhos, saudosista de uma época de ouro vivida em Campo Maior, era constatar continuamente a triste condição de abandono, descaso político e poluição crescente do açude. Especialmente estes nostálgicos moradores de Campo Maior que chegaram a beber da água desse açude. Histórias pitorescas como as águas que eram vendidas de porta em porta, nas lendárias roladeiras, fonte de renda para muita gente, numa época em que o SAAE ainda não existia. 


A história da águada central de Campo Maior, cercada em suas paredes pelos escravos do coronel Jacob Manoel de Almendra (parente direto deste português é o ex-vereador Antônio Manoel Gaioso e Almendra Castelo Branco Filho) é uma fonte indispensável de saber, quando pensamos na história da sociedade campomaiorense que foi se transformando no decorrer dos anos até chegar à sociedade de hoje. Porque a sociedade se transforma, e somos o que somos hoje por conta do que fomos no passado. Quanto aos escravos construtores das paredes do açude de Campo Maior, estes eram oriundos da África, em sua maior parte capturados na Angola. Os negros eram escravizados na África e trazidos para o Brasil em navios negreiros de péssimas condições, desembarcando os poucos que sobreviviam à viagem transatlântica, nos portos da Bahia ou do Rio de Janeiro. Ali eles eram negociados e seus novos proprietários os traziam para suas terras. Assim eles chegaram a Campo Maior e povoaram nossa terra em grande número. 


POLÍTICA

Portanto, toda preocupação legítima com o açude é justificável. Só uma coisa não é justificável: tentar destruir o sonho da população por meros interesses políticos eleitoreiros. Quem não deseja ver o nosso açude grande limpo, saudável, economicamente viável? Quem deseja ver o fracasso da obra de revitalizar o açude? Quem é contrário ao progresso de Campo Maior? Apenas os adversários políticos do prefeito Paulo Martins, não o povo da cidade. O que os campomaiorenses mais gostariam de ver, o que seria o maior sonho do povo, seria ver o açude grande vivo e com saúde, com suas águas saudáveis e propícias para o banho, o lazer, a diversão familiar. 


Dizem que em Brasília, na Câmara Federal, o açude de Campo Maior é lindo. Milhões de reais já foram enviados para a restauração e limpeza do açude... Onde foi parar essa verba? Sinceramente, sem nenhuma inclinação política, falando como cidadão da minha cidade que não votou no PT (declaro isso para que ninguém me acuse de bajulador do prefeito. Não tenho cargo na prefeitura e nem recebo nenhum tipo de pagamento): a oposição é sínica, maquiavélica e inimiga do bem. Eles trabalham contra a cidade, contra o progresso, contra o povo, contra o açude, baseando suas falácias em argumentos maliciosos, numa tentativa de levantar a população contra o feitor da obra de limpeza do açude. Por acaso alguém foi examinar diretamente com o prefeito se foi feito um estudo no açude? Se existe um projeto? Ou apenas supõe que não há? 


Um fato inegável: o açude está poluidíssimo e quase morto. Ainda na distante década de 1960, a Câmara dos Vereadores de Campo Maior já discutia a poluição do açude; laudos foram apresentados constatando que a água já era imprópria para o consumo humano. Anos depois, na década de 1990, o açude chegou mesmo a ser interditado, suas águas continham índices de poluição 100 vezes mais altos do que o mínimo permitido, nem mesmo se podia banhar ou pescar nas águas do açude. O açude foi INTERDITADO a nível FEDERAL. Agora, quando surge um gestor que decide reverter essa triste realidade, decide fazer reviver nosso açude, como nos tempos áureos, um populacho ambicioso pelo poder tenta tomar isso do povo por pura ganância? 


É histórico: o Brasil não cresce, não se iguala às nações mais desenvolvidas porque a maior parte de nossa classe política não tem cérebro e nem coração. Não há vontade política, apenas interesse próprio e ganancioso. O sucesso de um gestor pode provocar os mais sombrios sentimentos em seus adversários políticos, mas, querendo ou não, o fato é que nosso açude está na mesa de cirurgia, agora mesmo, numa delicada operação para seu salvamento. Dobre-se a oposição diante do Prefeito Paulo Martins, contemple e admire o gestor que está salvando o açude e devolvendo a Campo Maior seu mais belo cartão postal. Vejam o seu triunfo, sua coragem e seu desejo de progresso. Admirem suas nobres virtudes, batam palmas. Façam como fazem os cavalheiros e homens de grande envergadura moral, apertem a mão do gestor, parabenize-o, e ofereça sua ajuda. Essa seria uma atitude de nobreza política, moral e mais do que isso, de amor a cidade. Esse não é um momento de guerra, é momento de paz, de unir as forças políticas em prol do bem maior de nossa cidade. Todos que amam Campo Maior estejam de mãos dadas, TODOS, e vamos juntos apoiar essa grande obra para salvar nosso açude grande. 


Agora mando um recado ao prefeito Paulo Martins: como disse antes, você está tocando num dos mais preciosos bens da população de Campo Maior, um tipo de irmão mais velho nosso, algo que o campomaiorense ama e sente ciúmes. Algo quase sagrado para o povo. Veja bem o que você está fazendo e faça com zelo e cuidado. Entre para a história como o maior prefeito de todos os tempos, que salvou o açude, mas cuidado para não errar. Cuidado para não entrar para a história como o prefeito que matou o açude. Não decepcione o povo. Já que resolveu fazer, faça de verdade, faça o que nenhum prefeito conseguiu fazer até hoje, faça bem feito, faça com muito amor. Eu acredito! Que Deus te abençoe. 

 

 

 


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