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Blog da Ana

Ana Maria Cunha

campomaioremfoco@hotmail.com

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VOCÊ NÃO ACHA QUE EU TENHO RAZÃO?

Devemos ter a delicadeza de não deixar ninguém na solidâo

Estávamos eu e algumas amigas sentadas hoje à tarde na Fazendinha para assistir ao Festival de Sanfoneiros quando, de repente, chega uma mulher e diz, bem alto:

 

_ Cheguei atrasada, mas cheguei...

 

Olhei pra ela, achando que seria alguma conhecida minha, mas não era. Percebi que nenhuma de minhas amigas sentadas na mesa a conheciam e ficamos com cara de paisagem olhando umas para as outras sem entender direito o que estava se passando ali.

 

Era uma mulher de seus mais de sessenta anos. Uma pessoa simples, sem nenhum atrativo, daquelas que não chamam atenção por motivo algum. Uma pessoa comum.

 

A mulher continuou falando, agora se dirigindo diretamente pra mim:

 

_ Você não acha que eu estou certa? Meus filhos vieram todos pra essa festa, ninguém teve a coagem de chegar pra mim e perguntar se eu queria vir, ninguém teve a delicadeza de me convidar. Então eu fiquei pensando triste e sozinha em casa. “Por que  que eu não vou também?” Então chamei um moto-taxi e vim. Eu tenho dinheiro, não quero ficar deprimida em casa. Aqui eu vejo gente, converso, danço, sorrio, abraço e posso comer e beber à vontade que eu tenho meu dinheirinho... E quando eu quiser voltar, é só chamar o moto-taxi de novo e ir embora. O que você acha?

 

Eu sorri internamente me perguntando por que ela teria vindo perguntar logo pra mim?

 

E eu respondi:

 

_ A senhora está certíssima! Se havia de ficar deprimida em casa, saia. Se divirta. Tenho certeza de que uma corrida de moto-taxi é mais barato que uma caixa de remédio contra depressão.

 

Ela “achou graça” de minha resposta e saiu cumprimentando a todo mundo que encontrava pela frente, sorrindo para uns, abraçando outros, conversando com um aqui e com outro ali... Eu fiquei acompanhando seus movimentos, até ela sair completamente de meu campo de visão.  

 

Mais tarde a vi, dançando em frente ao palanque onde os artistas se apresentavam e fiquei a pensar na solidão. No mal danado que ela faz às pessoas, tanto às que vivem sozinhas como às que vivem acompanhadas, como era o caso daquela senhora. Mas pensei também como é simples sair  do cerco que nos prendem a ela, como fez aquela senhora...

 

E não podemos negar que a solidão ataca pessoas de todas as idades... As pessoas estão cada vez mais sozinhas, ou pelo menos mais solitárias... Parece que vivemos em uma ilha cercada de egoísmos por todos os lados.


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