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Pensando a História

Marcus Paixão

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Um século de reformas no açude grande de Campo Maior

Por: Marcus Paixão

 

Por volta de um século atrás, um engenheiro belga denominado Dr. Horta, recebeu ordens para concertar as paredes do açude grande de Campo Maior, que apresentava vazamento em alguns pontos. O açude é descrito como o nome de ‘açude de Campo Maior’. Esse deve ser o nome ao qual ele era já bem conhecido, o que desfaz a ideia de que ele fosse conhecido como ‘açude de Santo Antônio’, uma tentativa de catolicizar toda a cidade ao padroeiro da fé católica dos professos campo-maiorenses. O açude também é classificado na documentação como pequeno. *1 Quando o DNOCS veio realizar essas obras no açude, há 70 anos ele já existia, e já havia passado por outro reparo, em 1889. A construção foi, na verdade, mais um conjunto de reformas, pois o Dr. Horta “veio e fez concertos no paredão” do açude.

 

Quando o Dr. Horta chegou para reparar os danos no paredão do açude, ele utilizou-se de uma técnica bem peculiar. O paredão contava com algumas rachaduras que provocavam um vazamento considerável. Havia ainda outros pequenos vazamentos, de menor risco. O engenheiro aprontou uma mistura de massa, digamos, bem diferente. Ele preparou traços de argila misturada com estrume de animais. Essa massa foi utilizada para tapar as rachaduras, e à mistura, foram acrescentadas pedras pequenas.

 

Parece que todos os trabalhos que vinham sendo realizados no açude estavam surtindo bons resultados. Um dos objetivos da construção do açude era conter as águas, evitando que em invernos mais fortes elas não invadissem a cidade, que vinha crescendo rápido, principalmente nas últimas décadas do século XIX. Na realidade, em termos urbanos e estruturais, esse foi um dos períodos mais importantes no desenvolvimento urbano da novel cidade de Campo Maior. Apenas 30 anos Campo Maior fora elevada ao patamar de cidade. 

 

Em 1905 o açude foi posto à prova. Tivemos um rigoroso inverno nesse ano, o que causou grande enchente. Todos os rios da cidade transbordaram e cidade ficou literalmente ilhada. Era necessário, para entrar ou sair da cidade, o uso de embarcações pequenas. Nesse ano o açude transbordou e surgiram algumas avarias. Em 1924 tivemos outra grande cheia. Desta vez os reparos do Dr. Horta seriam testados. Apenas quatro anos depois que o belga tinha realizados reparos delicados nos paredões do açude grande, a cidade era acometida de um implacável inverno. Tão grande foi a cheia daquele ano que “para fazer compras, o Cel. José Paulino vinha dos Porções, atracando a canoa na calçada de D. Penha, no início da Rua Padre Manoel Félix.*2

 

Dessa forma, a construção do açude grande por Jacob Manoel d’Almendra (1859); as reformas promovidas por Antônio José Nunes Bonna e outras menores que seguiram o ano de 1889, e todas as outras que foram realizadas desde que o Dr. Horta, em 1920, concertou os seus paredões, tem sido de extrema importância para a preservação de importantes áreas urbanas de Campo Maior em nossos dias.

 

 

 


1- O documento consta de alguns campos em branco. Por exemplo: os campos Área da bacia hidrográfica, Área da bacia hidráulica, Localização, Tipo, Diâmetro, Cumprimento, etc. todas estão em branco. Portanto, as informações disponíveis não são muito claras.

2- Ibid, p. 301.


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