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Pensando a História

Marcus Paixão

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CAMPO MAIOR: ASPECTOS ECONÔMICOS E URBANÍSTICOS E A CONSTRUÇÃO DO AÇUDE GRANDE

Sobre o esplendoroso açude grande de Campo Maior, monumento natural que encanta os turistas que cruzam seu caminho. Sua obra foi realizada no ano de 1859. Campo Maior nesse período não havia mudado muito em termos de estrutura urbana. Continuava uma vila pacata, no estilo colonial. Embora fosse muito pequena, era considerada grande e próspera quando equiparada a outras vilas do seu tempo.

 

Esse aspecto de potência econômica vinha desde os primeiros tempos da vila. Os repasses de Campo Maior à coroa portuguesa eram os maiores do Piauí. Em 1791, Campo Maior enviou mais dizimas de gado do que a Capital, Oeiras. Enviou duas vezes mais do que Jerumenha e Parnaguá juntas. Na região norte, também predominou economicamente, e enviou mais arrecadação do que Valença e Marvão. Em 1809-1814 a liderança econômica permanecia e aumentara. No Norte, enviou 4 vezes mais do que Parnaíba, 4 vezes mais do Piracuruca, 3 vezes mais do que Marvão e o dobro de Valença. No Sul, perdeu por muito pouco para Oeiras, com 91:850$000, contra 84:090$000 de Campo Maior. Porém enviou 3 vezes mais do que Jerumenha e Paranaguá.


Quanto ao perímetro da vila, o parque urbano de Campo Maior em 1850 ainda girava em torno da igreja, seu centro histórico mais antigo. Hoje podemos até considerar aquelas imediações como a “cidade velha”. Era no entorno da igreja e um pouco mais afastado dela que se encontravam as moradias. O que estava mais distante da “cidade velha” eram as fazendas, inúmeras, que se espalhavam dentro e além do que hoje é a zona urbana de Campo Maior. É claro que o número de moradias e instalações, e também de fazendas, foi aumentando a cada ano desde os tempos da Freguesia de Santo Antônio do Surubim. Mas ainda não devemos imaginar uma povoação cheia de casas e ruas. Tudo era muito pouco e pequeno. Note que havia passado apenas 36 anos da Batalha do Jenipapo.


O foco vivo e comercial da vila era o entorno da igreja. A área em torno do açude era limite de muitas fazendas. Aquela região no passado nunca foi grandemente habitada, pois era considerada fora dos limites da vila. Mas ela nunca foi deserta. Visto que a lagoa era uma das fontes de água da cidade, a melhor fonte que se tinha, ela sempre foi frequentada. Muitos fazendeiros já se ocupavam das imediações da lagoa, utilizando seu espaço para fazer vazantes e para o descanso de animais, principalmente o gado vacum.


Pelos idos de 1850, já era aquela aguada muito mais notada, já tendo a população observado a sua indispensável presença. Outro fato interessante que podemos notar ao longo da história da cidade é a constante preocupação, marcada pelo discurso político, com a pureza de suas águas. O açude sempre foi tema político! Sendo assim, o anseio do povo por uma fonte que pudesse reter água em dias de seca e proteger a cidade em dias de enchentes era grande. A cada avanço da vila, maior era a necessidade de segurança. Um açude era a solução para conter esse dilema que o povo vivia. Em ano de pesada estiagem o povo sofria, pois as fontes secavam, o rio Surubim baixava, os riachos desapareciam e a lagoa tinha o nível d'água drasticamente diminuído. Cada vez mais se mostrava necessário resolver esse problema.


Em 1857 um novo presidente da Província é empossado. Seu mandato tem início em 10 de junho. Trata-se aqui do Dr. João José de Oliveira Junqueira. Permaneceria no cargo até o dia 30 de dezembro de 1858 . Nos últimos dias de seu governo, faltando uma semana para deixar a presidência da Província, a obra da construção do açude é arrematada pelo então Cel. Jacob Manoel d’Almendra. Certamente essa foi uma arrematação "política", pois o Jacob de Almendra era, provavelmente, o homem mais rico do Piauí e gozava de enorme influencia política.


Por ter adquirido muita influência, Jacob de Almendra tinha transito privilegiado no cenário político do Piauí. Quando a cidade de Teresina passou a ser a capital do Piauí, Jacob Manoel d’Almendra foi um dos que apoiaram o então Presidente da província Antônio Saraiva. Monsenhor Chaves aponta seu nome como um dos principais colaboradores na transição da capital para Teresina. Seu nome está na lista dos 20 deputados que apoiaram a mudança da capital, com uma nota do padre: “guardemos estes nomes para a história”. Jacob Manoel d’Almendra foi um dos homens que subscreveu o projeto que transferiu a capital de Oeiras para Teresina.


O cenário para a construção do açude estava preparado. A verba estava reservada, custando, segundo relata Marion Saraiva, 3:500$000, “pagos depois que a obra tivesse resistido a um inverno”. A lagoa, tão útil no passado, deu lugar ao Açude Grande de Campo Maior, uma das maiores obras realizadas naquele período.

 


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