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Pensando a História

Marcus Paixão

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A origem da freguesia de Santo Antônio do Surubim

Labutam em erro aqueles que assumem que a casa da fazenda Bitorocara estava situada próximo à capela

Em 1711, a região dos Alongases com suas fazendas, já acumulando considerável quantidade de pessoas, recebeu a visita do Padre Tomé de Carvalho. Tinha ele o intuito de levantar uma capela em dedicação a Santo Antônio, seguindo ordens do bispado de Pernambuco. Com a construção da igreja o lugar passaria à condição de Freguesia, a segunda do Piauí, Santo Antônio do Surubim. 


Quanto às origens da religião e da igreja de Santo Antônio, até hoje existe muito do misticismo do catolicismo popular atrelado ao imaginário local. Esse é um retrato autêntico do homem da Idade Média que permanecia impresso no português que colonizava nosso espaço. Moysés Castello Branco Filho parece se deixar envolver por esses contos em sua narrativa: 


“O primeiro povoado do Longá desenvolveu-se nas margens do regato onde foi encontrada uma pequena imagem de Santo Antônio no tronco de uma juremeira, e logo chamado riacho de Santo Antônio. No lugar foi levantada uma capelinha modesta sob a invocação do milagroso orago e, alguns anos depois, a igreja maior. Em volta cresceu o povoado de Santo Antônio do Surubim de Campo Maior – Santo Antônio de Campo Maior – ou simplesmente Campo Maior na consagração popular” (CASTELO BRANCO, p. 53).


A narrativa fantástica do aparecimento milagroso de imagens de santos católicos sempre permeou o imaginário do povo. Existem vários relatos que atrelam o surgimento de comunidades às imagens encontradas em rios, campinas, árvores, etc. O princípio mítico sempre tem sido o mesmo, geração após geração. A primeira casa de culto católico erigida no Surubim pode ter sido levantada ainda em 1696, antes mesmo da chegada do Padre Miguel de Carvalho, quando viajava pelo sertão do Piauí. Esteve no arraial de Bernardo de Carvalho o jesuíta Ascenso Gago para realizar uma desobriga que durou 18 dias. Padre Cláudio Melo nos lembra que “tinham os jesuítas o hábito de por onde andassem levantar Capelas, mesmo que de taipa e palha. Como este era o costume, podemos supor que foi a partir daquela desobriga que o Surubim teve a sua [primeira] Casa de Oração”. No documento não consta que os padres tenham se abrigado em casa de Bernardo de Carvalho. Essa é uma suposição de Cláudio Melo. 


O que está bem documentado quanto à origem da Freguesia de Santo Antônio e de sua primeira capela, é que ela foi fundada pelo Padre Tomé de Carvalho. Sobre isso não há a menor dúvida. Cláudio Melo acreditava que a capela tinha sido construída nas terras da fazenda Bitorocara, no fim do inverno de 1711: “O Pe. Tomé de Carvalho reuniu em Bitorocara, Arraial de Bernardo de Carvalho, os principais cidadãos da redondeza para decidirem o local e a construção da Matriz da nova Freguesia que teria por padroeiro o glorioso Santo Antônio” (MELO, p. 47). Temos outro problema aqui. Para Cláudio Melo, a fazenda Bitorocara e o Arraial Velho tratavam-se da mesma fazenda. A Bitorocara passou a se chamar Arraial Velho no período da guerra contra os índios. O problema é que atualmente a data de sesmaria do Arraial Velho já é bem conhecida e o documento situa essa fazenda nas proximidades do rio Parnaíba, bem mais ao norte de Campo Maior, mais perto de Piracuruca.


O local escolhido para a igreja foi uma colina situada cerca de 200 metros do rio Surubim. Em Campo Maior a igreja foi construída em terreno isolado, no ermo, sem nenhuma fazenda muito próxima, como se deu também em Oeiras. A capela de Oeiras (chamada na época de Mocha) foi levantada longe das áreas povoadas, “isolada daqueles que formariam a comunidade (...) sem outras habitações que a pequena igreja e três ou quatro ranchos, também de taipa, onde residiam o Cura e seus primeiros colaboradores.” (MELO, p. 8). Esse mesmo fenômeno, o da igreja isolada, se repetiu em Campo Maior. Por isso, labutam em erro aqueles que assumem que a casa da fazenda Bitorocara estava situada próximo à capela. 


Embora o padre Tomé de Carvalho tenha reunido o povo para que eles escolhessem o local onde a capela seria levantada, o registro histórico orienta que o local deveria ser escolhido de tal forma que comtemplasse todos os fazendeiros da região, não privilegiando uns em detrimento de outros. As distâncias entre as fazendas e a igreja teriam que ser regulares entre os fazendeiros, sem grandes disparates.  


A igreja de Santo Antônio foi construída em 1711. Pouco tempo depois a Freguesia de Santo Antônio do Surubim foi estabelecida. Não se sabe se imediatamente à inauguração da igreja ou alguns poucos meses depois. O fato é que em 1713 já temos o registro de correspondência citando um homem que residia na Freguesia de Santo Antônio do Surubim. Mesmo sem condições de estabelecermos uma data precisa para sua criação, é inequívoca a informação de que em 1713 ela já existia. Portanto, o ano de 1713 é, até o presente momento, a melhor data para falarmos da criação dessa antiga freguesia piauiense. 

 


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