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24/07 20h47 2019 Você está aqui: Home / Esportes Redação em Foco Imprimir postagem

Federação de Futebol terá que combater racismo durante os jogos

Em fevereiro deste ano, o jogador Allan, do Piauí Esporte Clube, foi chamado de macaco durante uma partida no estádio Lindolfo Monteiro. A reação foi imediata. Houveram debates prós e contras. Diante da polêmica, o Ministério Público Estadual convocou a Federação de Futebol do Piauí para adotar ações contra o crime de racismo durante os campeonatos. 

Nesta quarta-feira (24), um termo de ajuste de conduta (TAC) foi assinado pela Federação de Futebol estabelecendo ações que combatam a injúria racial nos espaços de futebol. 

O termo de ajuste estabelece que a Federação Piauiense deve cumprir três ações de combate à injúria nos estádios. Nos jogos dos campeonatos organizados pela federação devem ser apresentada faixas durante as partidas com frases de enfrentamento ao racismo. Também deverão ser reproduzidos spots (áudios) durante as transmissões com mensagens informativas.

“Vale dizer que não é só nos estágios de Teresina, mas em todas as praças do Piauí em que haja prática de futebol”, reforça Mirian Lago, promotora da 49° Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público.

Outra demanda estabelecida no TAC é a criação de um observatório que registre denúncias relacionadas à injúrias no esporte. Segundo a promotoria do Ministério Público, as faixas e os spots já foram apresentados, ficando para os próximos 90 dias a apresentação do observatório.

Em março, a comissão disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva aceitou e julgou procedente a denúncia do jogador que sofreu a injúria racial por um torcedor do Flamengo em um jogo pelo Campeonato Piauiense. 

O clube rubro-negro foi punido com multa de R$ 1 mil e o torcedor, que não teve identidade revelada, está proibido por um ano de frequentar estádios dentro do Piauí.

Relato do jogador

Na época, Allan falou com jornalistas no final da partida e denunciou que foi chamado de "macaco" por um torcedor rubro-negro. 

"Quando eu passei alí pela lateral do campo, simplesmente um torcedor, que eu identifiquei, me chamou de macaco, e eu não queria que deixasse assim. Eu fui alí no policial, ele mandou eu falar com o quarto árbitro. Eu chamei o quarto árbitro para eu ir lá com o policial, mas ele não deixou eu ir. Disse que eu estava expulso e tinha que sair de campo. Eu perguntei se ele tinha família, porque se fosse com ele eu acho que ele não ia querer deixar assim". 

O zagueiro disse que já tinha ouvido ofensa semelhante em jogos de várzea, mas foi alvo do racismo em partida de futebol profissional pela primeira vez. 

" Muitos amigos meus já passaram por isso e agora comigo. É uma coisa frustrante, uma coisa que deixa a pessoa pra baixo porque todo mundo é ser humano. Todo mundo dentro tem o mesmo sangue. Cor, isso aí não identifica nada, não".


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