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11/11 07h42 2019 Você está aqui: Home / Mundo José Sérgio Imprimir postagem

Evo Morales renuncia à presidência da Bolívia

O presidente boliviano, Evo Morales, renunciou à Presidência da Bolívia às 18h (horário de Brasília) deste domingo (10), da cidade de Cochabamba, após pressão das Forças Armadas e protestos intensos nas grandes cidades do país.

"Me dói muito que nos tenham levado ao enfrentamento. Enviei minha renúncia para a Assembleia Legislativa Plurinacional", afirmou em pronunciamento na televisão. Morales, que ficou 13 anos no poder, diz ter sido vítima de "um golpe cívico, político, policial".

"Quero pedir desculpas por ter sido exigente durante o trabalho. Não foi para Evo, foi para o povo boliviano". "Aqui não termina a vida, segue a luta", disse, encerrando a fala.

O vice-presidente Álvaro García Linera, que estava ao lado de Evo no pronunciamento, também apresentou sua renúncia.

Morales já havia convocado novas eleições no começo do dia e pedido que se reduzisse a tensão no país, após três semanas de enfrentamentos violentos que causaram três mortes e deixaram mais de 300 feridos nas principais cidades do país.

A tensão aumentou ao longo do domingo. O comandante das Forças Armadas, Williams Kaliman, fez um pronunciamento na televisão à tarde, em que sugeria que Evo Morales renunciasse a seu mandato para pacificar as ruas.

Por volta das 17h (horário de Brasília), o avião presidencial decolou do aeroporto de El Alto, em La Paz, onde o presidente estava desde a manhã do domingo, alimentando especulações de que ele poderia estar deixando o país. Em vez disso, porém, aterrissou no aeroporto de Chimoré, perto de Cochabamba, um reduto político de Morales, onde este tem uma casa.

O anúncio do novo pleito foi feito pelo mandatário na manhã do domingo, depois que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, pediu a anulação das eleições na Bolívia, após auditoria realizada na apuração dos votos. Almagro instou o governo de Morales a convocar novas eleições.

A tensão na Bolívia vem escalando por conta de enfrentamentos entre apoiadores e críticos de Morales, que o acusam de fraude. Nos últimos dias, houve levantes de policiais e militares que se recusaram a tomar ações de repressão contra opositores, enquanto Morales acusou uma "tentativa de golpe de Estado".

Os resultados da auditoria da OEA seriam divulgados apenas em 13 de novembro, mas foram adiantados "por conta da gravidade das denúncias", disse Almagro em um comunicado em que pede que a eleição do último dia 20 de outubro "seja anulada e que o processo eleitoral comece novamente".

A Bolívia vive uma situação grave nas ruas por conta dos resultados contraditórios divulgados após as eleições de outubro, que conferia um quarto mandato a Evo.

O órgão eleitoral iniciou uma contagem rápida, que dava um resultado de segundo turno até os 80% das atas apuradas. Três horas depois, porém, essa contagem foi interrompida por 24 horas, enquanto se acelerou a contagem "voto a voto". Quando por fim foram anunciados os resultados, Morales estava na frente por pouco mais de dez pontos percentuais de vantagem, o que o levaria a conquistar a vitória já num primeiro turno.

Desde o conflito eleitoral, os protestos vêm aumentando em La Paz e em outras cidades, com ataques a casas de autoridades, incêndios e confrontos de rua.
O presidente da Câmara dos Deputados da Bolívia, Víctor Borda, também renunciou ao cargo neste domingo após manifestantes atacarem sua casa, em meio aos protestos que reivindicavam a renúncia de Evo Morales.

Em intervalo de horas, dois ministros do governo Evo fizeram o mesmo: Luis Alberto Sánchez (Hidrocarbonetos) e César Navarro (Mineração), que abdicou do posto depois que opositores queimaram sua casa.

Carlos Mesa, ex-presidente boliviano e candidato de oposição de Evo nas eleições de outubro, comemorou a notícia da renúncia no Twitter. "À Bolívia, a seu povo, aos jovens, às mulheres, ao heroísmo da resistência pacífica. Nunca esquecerei esse dia único. O fim da tirania. Agradecido como boliviano por essa lição histórica. Viva a Bolívia!".

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