06/12 17h50 2019 Você está aqui: Home / Economia Da Redação Imprimir postagem

Se as pessoas querem mais internet, elas vão ter de pagar mais, diz presidente da TIM

Pietro Labriola, presidente da TIM Brasil (TIMP3), acredita que o preço da internet móvel no Brasil está incompatível com a evolução do uso de dados. Para ele, todas as empresas do setor deveriam deixar de competir entre si e entender que sua concorrência, na verdade, é “a cerveja, o cigarro” – ou seja, gastos pequenos da rotina do cliente.

“Há quatro anos, o consumo médio de internet móvel do brasileiro era de 150 megabytes. Hoje, no pré-pago passa de 2 gigabytes. E o preço é o mesmo”, disse Labriola em almoço dos executivos da operadora com a imprensa nesta quinta-feira (5). “Se eu aumento o plano em R$ 5, minha receita aumenta 20%. E a gente briga por um crescimento de 4%”.

O CEO considera que o brasileiro é “dependente” de internet e que existe uma “oportunidade muito grande” que o setor não está aproveitando. “Se você quer gigas a mais, tem que pagar mais. Não posso oferecer o mesmo preço para sempre”, argumentou.
Superapp e serviços financeiros

Para o próximo ano, a TIM seguirá com o discurso de se diferenciar da concorrência através de inovação. Segundo Labriola, é uma vantagem, e não uma desvantagem, ser a operadora que não oferece pacotes de TV a cabo. “Não tenho a receita, mas tenho a oportunidade de apresentar um posicionamento claro de inovação”, disse. “Nosso asset é estar sempre à frente. Não acredito em televisão para o futuro”, diz.

Renato Ciuchini, diretor de estratégia e transformação da companhia, revelou que, internamente, “se fala muito” em um superapp (conceito de aplicativo de smartphone como plataforma multiuso). “É natural para a TIM ser um marketplace de conteúdo”, aponta. “O combo do futuro não é telefone, internet fixa e celular: é conteúdo”.

A estratégia, que deve ser melhor divulgada a partir do ano que vem, já começou a ser desenhada em 2019. “Vendemos o TIM Black Família [plano da empresa para as classes A e B] como um hub de entretenimento, e devemos começar a colocar mais coisas lá dentro”, afirmou, sem dar mais detalhes. O plano em questão já contém opcional de assinatura da Netflix e é gerenciado via aplicativo. “As outras operadoras têm conflito na hora de oferecer Netflix, porque canibaliza a TV a cabo que elas próprias vendem”, lembrou.

Outra vertical comandada por Ciuchini – e ainda mais misteriosa por ora – é a de serviços financeiros. Segundo o diretor, não existe um direcionamento claro para essa frente de negócios: pode ser que a TIM traga um produto próprio ou faça parcerias com fintechs, por exemplo. O que a TIM tem em mente é usar seu ativo mais precioso para monetizar em mais uma frente: os dados de seus mais de 50 milhões de clientes.

Compra da Oi

A TIM já revelou publicamente que, se colocada à venda oficialmente, a vertical de telefonia móvel da Oi está no radar. Questionados sobre o andamento dessa negociação, os executivos mantém o posicionamento de interesse, desde que haja “geração de valor”, e dizem que o assunto está “acelerando”. Não dão, todavia, mais detalhes que isso.

Labriola mencionou uma possível interpretação de formação de cartel caso alguma das operadoras do mercado adquira as operações móveis da Oi em totalidade: acha mais provável que seja feita uma divisão dos ativos. Nesse contexto, pela fatia de mercado, a TIM ficaria com a maior fatia.

Otimismo

Com base no resultado de novembro, Labriola se diz otimista com o balanço deste ano e reitera que o crescimento no quarto trimestre será acima de 3% mas abusa da cautela a comentar os números. “Precisamos ver quanto do resultado foi influenciado por Black Friday e FGTS”, lembra. “Aguardamos a confirmação dos números em dezembro”. Para 2020, a companhia mantém guidance de crescimento entre 4% e 5%.

O mercado também parece estar otimista: com o avanço do marco das telecomunicações e, principalmente, as discussões sobre o 5G no Brasil (através do qual a TIM pretende oferecer uma solução de internet doméstica ultraveloz e sem fio), analistas vêm recomendando compra da ação. No radar da Bloomberg, são 10 recomendações de compra, 4 neutras e nenhuma de venda


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